Campinas, SP, 18 (AE)- A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico e a Polícia Federal encontraram o elo que poderá comprovar o envolvimento de diversas pessoas e empresas de Campinas no esquema PC. Hoje, depois de uma investigação feita em conjunto com a Polícia Federal, a CPI determinou a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de 14 empresários e 13 casas de câmbio, agências de turismo e de factoring, suspeitas de terem sido criadas para lavagem de dinheiro. Algumas dessas firmas foram abertas pelas mesmas pessoas que já atuavam como "doleiros" do Esquema PC, segundo o deputado Robson Tuma (PFL-SP).
Além do depoimento do caminhoneiro Jorge Meres, que denunciou o envolvimento da família Farias com o empresário William Sozza, considerado o líder do crime organizado em Campinas, a CPI não tinha encontrado nenhum outro indício forte que relacionasse a cidade ao esquema PC. "Na época das investigações em torno do esquema, comprovou-se a participação de alguns desses nomes que operavam como "doleiros" na região de Campinas", disse Tuma, autor do requerimento da quebra de sigilo.
Segundo ele, por meio de dois correntistas fantasmas e de uma empresa de fachada, o grupo realizava movimentação bancária considerada vultosa. "Novas suspeitas recaem sobre o grupo", diz Tuma, assegurando que algumas das pessoas e empresas que terão o sigilo quebrado continuam a operar de forma ilícita, provavelmente ligadas ao esquema PC que, até então, havia suspeita de que teria acabado depois da morte do ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Paulo César Farias, o PC.
Algumas das pessoas e empresas que tiveram seu sigilo quebrado pela CPI utilizavam, na época do esquema PC, nomes dos correntistas fantasmas Abel Mendes Ferreira e Luiz Mendes Ferreira e a New York Representações Ltda para fazer a movimentação financeira. A partir da abertura do sigilo, a CPI vai identificar para onde, e de que forma, estava sendo enviado dinheiro para o exterior. Segundo avaliação de delegados federais que trabalham neste caso para a comissão, se houve grande movimentação como no período de PC Farias, todo o dinheiro está fora do País. Caso contrário, estaria circulando por outros Estados.
A CPI também vai saber se algumas das pessoas e políticos investigados por suspeita de crime organizado utilizavam as agências para fazer transações financeiras.
A CPI aprovou a quebra de sigilo bancário das empresas Airways Viagens e Turismo Ltda, Culturis agência de viagens, Brasilminas Factoring Fomento Comercial, AFL factoring Fomento Comercial, Nova Era Factoring Fomento, Nova Seg Corretora de Seguros, Nova Seg Kart Racing, Borgia Corretora de Seguros, Eurofactoring Sociedade de Fomento, Eurotel Comércio e Serviços de Telecomunicações, Euro Comercial Ltda, Helicentro Campinas Serviços Comcércio e Representações Aeronáuticas e Empcon Empreendimentos.
Além das empresas, foi determinada a quebra do sigilo bancário de Ed Wanger Generoso, José Carlos Franz, Liselda Maria Wanger Generoso, Maria C.F.S. Galvão Franz, José Ricardo Xavier, Carlos Manuel Antunes Bernardo, Ademar Fidêncio de Lima, Diógenes Gomes Moreira, José Arnaldo Monteiro, Aparecida Fagundes de Lima, José Franco Ferraz dos Santos, Fabiano Fidêncio de Lima, Italo Alfredo Cortizo e Mariângela Terra Zaneti Cortizo.

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