Brasília, 18 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje, no encerramento do ato público de lançamento do manifesto "Em defesa do Brasil, da democracia e do trabalho", que as disputas entre os partidos de esquerda pelas candidaturas nas eleições municipais podem atrapalhar a oposição na estratégia de alcançar o poder nas eleições de 2002. "Não podemos deixar que interesses menores destruam a unidade em defesa da mudança do modelo econômico e da soberania do País", advertiu o líder petista, lembrando que a estratégia da Frente das Oposições é "construir um movimento capaz de sustentar uma candidatura" à Presidência da República.
Lula considera que o manifesto lançado hoje com a assinatura de uma centena de políticos, artistas e intelectuais pode ser o ponto de partida desse movimento, mas avisa que a sociedade não acreditará nele se os partidos de esquerda não construírem nos municípios a mesma unidade nacional que possibilitou a elaboração de um documento conjunto, que propõe um "esforço de salvação nacional" para "assegurar um rumo progressista para o País e recuperar a confiança do povo em seu destino".
"A base para levarmos esse documento à sociedade será a nossa capacidade de fazer alianças políticas para as eleições municipais", sustentou Lula diante de líderes dos partidos de oposição que travam em algumas cidades disputas inflamadas para encabeçar as chapas da esquerda que disputarão as prefeituras. "Se começarmos a discutir agora as candidaturas para a eleição de 2002, esse manifesto será letra morta", avaliou o presidente de honra do PT. "Estou convencido de que nenhum partido de esquerda chegará ao Poder desse País se não ampliar o nível de consciência da sociedade", disseu Lula.
O manifesto "em defesa do Brasil, da democracia e do trabalho", lançado hoje pela Frente das Oposições no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados faz um diagnóstico dos principais problemas do País e uma análise do desempenho do governo. Critica a imprensa por adotar "um discurso único, unilateral em defesa do governo" e afirma que a corrupção "é um elemento congênito da política de direita no Brasil, está presente em todos os níveis da administração pública e percorre todos os Poderes da República" e "é agravada pela impunidade e por um sistema judiciário lerdo e injusto". O manifesto acusa o presidente Fernando Henrique Cardoso de mentir à Nação, "quando afirmou não estar interferindo no processo licitatório" da privatização da Telebrás; afirma que "o Brasil vem sendo governado por uma elite que desde sempre traiu o seu povo e se colocou a serviço dos grandes grupos econômicos"; e adverte que "nunca o presente e o futuro do Brasil estiveram tão ameaçados".
O documento também conclama um "basta!" contra "poderosos interesses de banqueiros, megacorporações, transnacionais, oligarquias políticas, e contra sobretudo os interesses do capital financeiro que controla a economia global". "Ou o povo brasileiro toma em suas mãos o destino do País e promove uma mudança de rumo, ou a nossa Pátria estará condenada à violação ainda mais brutal de sua soberania e à deterioração ainda maior da vida de seu povo", conclui o manifesto assinado por todos os governadores da oposição e vários prefeitos, líderes políticos, intelectuais como Ariano Suassuna, Barbosa Lima Sobrinho e Luís Fernando Veríssimo, juristas, como Antônio Celso Bandeira de Mello e Goffredo da Silva Telles e Evandro Lins e Silva, economistas, como Celso Furtado, Luiz Gonzaga Belluzzo e Maria da Conceição Tavares, empresários, como Lawrence Pih e Oded Grajew, e artistas como Antônio Grassi, Geanfrancesco Guarnieri, Lucélia Santos, Mário Lago e Pedro Cardoso.

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