Brasília, 18 (AE) - O secretário do Tesouro Nacional, Fábio Barbosa, e o secretário de Fazenda de Minas Gerais, José Augusto Trópia Reis, não fecharam a renegociação do acordo da dívida de Minas. Amanhã (19), a partir das 9h30, eles voltam a se reunir no Ministério da Fazenda, para tentar concluir as negociações.
Segundo o secretário mineiro ainda existem pendências com relação ao valor de alguns ativos que o Estado pretende entregar ao Tesouro para complementar o volume de recursos que faltam para o pagamento da conta gráfica, que vence no próximo dia 30.
Entre estes ativos estão o Fundo de Compensações das Variações Salariais (FCVS) e as carteiras mobiliárias do Bemge e do Credireal, instituições financeiras que foram privatizadas no governo Eduardo Azeredo (PSDB).
O secretário mineiro disse que "à princípio" aceitou receber pela Cesasa - a central de comércio de produtos agrícolas do Estado - e a Companhia de Armazéns e Silos do Estado de Minas Gerais (Casemg), R$ 253 milhões e R$ 83 milhões, respectivamente.
Estes recursos serão utilizados para complementar o pagamento da conta gráfica, que representa 10% do total do valor refinanciado junto à União da dívida mobiliária do Estado, e que soma, em valores presentes, cerca de R$ 1,9 bilhão. A Fazenda de Minas alega já deter cerca de R$ 1,4 bilhão para efetuar o pagamento.
Apesar da declaração de moratória, feita pelo governador de Minas Itamar Franco (PMDB) no início do ano, Minas Gerais está adimplente com o Tesouro.
Através de bloqueios mensais dos recursos que deveriam ser repassados ao Estado, o Tesouro Nacional acabou cortando o efeito prático da declaração de Itamar Franco, deixando a moratória apenas como um sinal político de racha entre o Palácio da Liberdade e o Palácio do Planalto.
Até o último dia 30 de setembro, de acordo com informações da Fazenda de Minas, o Tesouro já havia retido o repasse de R$ 611 milhões.

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