Istambul, 18 (AE-AP) - O dia de hoje (18) em Istambul, marcado por duros reveses para os russos, terminou com diplomatas ocidentais anunciando que a cúpula da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), iniciada nesta quinta-feira, chegou a um consenso sobre seu principal documento, a Carta de Segurança.
A Rússia cedeu à pressão internacional, garantiram representantes alemães e norte-americanos, mudou de posição e permitiu a inclusão no texto de uma frase acentuando que "uma solução política é de importância central" para resolver a crise na república separatista da Chechênia - alvo de intensos bombardeios das forças russas desde o início de setembro. O país reconheceu também que a OSCE "pode ter um papel na busca dessa solução política".
Pouco depois, no entanto, o chanceler russo, Igor Ivanov, assegurou aos jornalistas que o compromisso acertado não significa que haverá mediação ou interferência estrangeira no conflito. "Não se pode falar de mediação política ou interferência nos assuntos da Federação Russa", disse.
Ele repetia que a declaração final refletirá ponto por ponto a posição expressa pelo presidente russo Boris Yeltsin em seu discurso na abertura do encontro no qual tomam chefes de governo e de Estado de 54 nações. "A OSCE pode participar da ajuda humanitária e aos refugiados", acrescentou Ivanov.
Se os termos do documento forem os adiantados por diplomatas ocidentais e não derem margem a interpretações ambíguas, o desfecho da pressão internacional sobre a questão chechena representa uma derrota para a Rússia.
E não foi a única de hoje: os Estados Unidos anunciaram o acordo para a construção de um oleoduto que alijará os interresses russos na região do Mar Cáspio.
A abertura do evento pelo dirigente da OSCE, o norueguês Knut Vollebaek, foi um prenúncio do que Yeltsin e a delegação russa ouviriam repetidas vezes ao longo do dia: "Nós apoiamos a integridade territorial da Rússia. Nós reconhecemos seu direito legítimo de combater o terrorismo, mas os meios têm de ser proporcionais à ameaça", salientou Vollebaek, "que fez referência à violência e terror indiscriminado contra civis inocentes".
Yeltsin foi o segundo a falar, e foi enfático na defesa da questão chechena como assunto interno russo. "Vocês não têm nenhum direito de criticar a Rússia por causa da Chechênia", afirmou. "Nós somos obrigados a pôr um ponto final na disseminação do câncer do terrorismo. Não haverá negociações com bandidos. Nós precisamos eliminar completamente os grupos de bandidos", disse, referindo-se aos rebeldes islâmicos que têm bases na Chechênia e invadiram, em agosto e setembro, a república russa do Daguestão.
Depois dessa ação guerrilheira e de uma onda de atentados que causou a morte de quase 300 pessoas na Rússia, o governo mandou tropas para o território checheno, que vem sendo bombardeado diariamente. Como resultado, mais de 210.000 pessoas refugiaram-se na vizinha república russa da Ingushética, onde vivem em uma situação de risco que tem ampliado a pressão internacional sobre o Kremlin.
Na sequência, vários líderes criticaram a ação militar russa. "Se os ataques aos civis continuam o extremismo que a Rússia tenta combater vai apenas intensificar-se", disse o presidente norte-americano Bill Clinton, com quem Yeltsin se reuniu depois por uma hora. No fim desse encontro, Clinton disse que não haviam superado as divergências.
O presidente frnancês Jacques Chirac ameaçou não assinar a declaração final se os acordos de segurança que ela abrange se tornassem letra morta - já que a Rússia os vem descumprindo com o deslocamento de armas e tropas para a Chechênia.

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