Washington, 18 (AE-AP-ANSA) - Funcionários da Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, pelas iniciais em inglês) dos EUA, assistidos por especialistas egípcios, levarão ainda alguns dias para concluir a transcrição e a sincronização dos dados das duas caixas-pretas do Boeing 767 da EgyptAir, que caiu no dia 31 perto da costa de Massachusetts.
Mas fontes ligadas à investigação afirmam que os técnicos americanos estão cada dia mais convencidos de que houve uma luta no interior da cabine de comando pelo controle do avião. Isso explicaria a posição divergente nas aletas traseiras do Boeing - uma estava em posição de descida e outra de subida.
De acordo com informações extra-oficiais, a fita do gravador de cabine do Boeing - a segunda das duas caixas-pretas - registrou a voz do co-piloto da tripulação reserva do vôo, Gameel Batouty, proferindo, em árabe, uma oração islâmica que antecede momentos de morte. "Já tomei minha decisão; ponho minha fé nas mãos de Deus", disse o co-piloto, segundo a rede de TV CNN.
Segundo as especulações, que chegaram a ser dramatizadas por algumas emissoras de TV dos EUA, Batouty tomou o comando do avião aproveitando-se da ausência momentânea do comandante, Ahmed Habashy. Quando o avião começou a perder altura, Habashy teria voltado à cabine e lutado com Batouty para retomar o controle do avião. Antes de ser totalmente dominado, porém, o co-piloto teria desligado as turbinas do jato.
Batouty teria, segundo alguns investigadores, motivos para suicidar-se. Uma filha dele, Aya, de 10 anos, está internada num hospital da Califórnia há seis meses, com uma grave doença que atinge o sistema imunológico. Além disso, Batouty, que tinha 59 anos, estava deprimido por ter de aposentar-se em março e pelo fato de, mesmo após vários anos na empresa, nunca ter sido promovido a piloto.
A certeza de ter solucionado o caso era tão grande que os investigadores americanos estavam prontos para entregá-lo ao FBI, a polícia federal americana. O organismo tem jurisdição sobre casos de queda de avião nos EUA nos quais há indício de ação criminosa. Mas, por pressão do governo egípcio, as autoridades americanas resolveram adiar a transferência da investigação.
"Não creio que seja apropriado comentar o conteúdo das gravações nem especular sobre eles até que a investigação esteja encerrada", afirmou hoje o embaixador egípcio nos EUA, Nabil Fahmi. "Os egípcios estamos aborrecidos com os vazamentos e especulações que cercam a investigação. É preciso ser prudente e sério e levar em consideração que há famílias egípcias envolvidas. Parte das informações estão claramente incorretas e, mesmo a parte da informação que é correta, está incompleta."
Fahmi assegurou que a oração pronunciada por Batouty não significa necessariamente que ele tinha intenções suicidas. "Se é que ele disse alguma coisa", ressalvou.
No Cairo, familiares do co-piloto rechaçaram com veemência a versão de que ele estivesse disposto a se suicidar.
A EgyptAir anunciou hoje a mudança do número do vôo que cobre a rota Nova York-Cairo. Para evitar o efeito psicológico da lembrança do vôo 990, o trajeto passa a ter agora o número 984.





