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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 18 (AE) - Mal tiveram início as investigações sobre um grande esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo e um incêndio destruiu cerca de 2 milhões de processos de licenciamento e transferência de veículos. O fogo começou por volta das 23 horas de ontem (17), no arquivo 1 da Divisão de Registro e Licenciamento de Veículos, na sede do órgão, no Ibirapuera, zona sul.
Há a suspeita de que tenha sido criminoso. O Detran está sendo alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Civil. O esquema de propinas, cujo prejuízo causado aos cofres do Estado pode chegar a muitos milhões de reais, envolveria funcionários e despachantes. Hoje um policial civil e um despachante foram presos acusados de integrar o esquema.
O "Jornal da Tarde" revelou ontem como regularizar veículos pagando "caixinha" para funcionários. A reportagem conseguiu legalizar dois veículos em péssimo estado, cujos impostos atrasados e multas somavam R$ 2.245,00, pagando R$ 450 00.
No local atingido pelo fogo, estavam armazenados 2,28 milhões Certificados de Registro de Veículos (CRVs), referentes à compra e transferência, que correspondem ao período de julho de 1997 a janeiro deste ano. Segundo o diretor do Detran, José Francisco Leigo, donos de veículos cujos documentos foram danificados não terão prejuízos, pois os arquivos do órgão estão informatizados.
A Divisão de Crimes de Trânsito do órgão instaurou inquérito para apurar o caso. Para o promotor Arthur Pinto de Lemos Junior, do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que investiga do esquema de corrupção, o incêndio foi "queima de arquivo". "Não tenho dúvida, tendo em vista o local em que o fogo ocorreu e as circunstâncias que envolvem esse incêndio, que isso foi uma forma de queimar as provas da corrupção."
Pontos - Peritos do Instituto de Criminalística (IC) examinaram hoje a área atingida. Buscavam vestígios de solventes ou combustíveis no prédio que pudessem ter sido utilizados, no caso de um incêndio criminoso. A equipe também vasculhou a área em busca do ponto ou dos pontos de origem do incêndio, chamados pelos peritos de fonte do fogo. A existência de mais de um ponto seria um indício fortíssimo de que o incêndio foi provocado. Os peritos do IC, além de recolher amostras de material, fotografaram e filmaram a área. O caso é prioritário para o órgão, que deve concluir o laudo em 20 dias.


