Brasília, 18 (AE) - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, classificou como "uma afronta" o saque feito pelos trabalhadores acampados em frenta da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso a um caminhão de adubos e sementes que saía da propriedade, em Buriti, Minas Gerais. Segundo o general, não será permitida a invasão da fazenda. "O limite é onde eles estão (a entrada da fazenda)", disse.
O general avisou que se os acampados tentarem avançar, serão bloqueados pelos órgãos policiais que ali se encontram. Cardoso considera necessária a presença da Polícia Federal, que está ajudando a proteger a fazenda. "Não é só a fazenda do presidente, aquilo é um símbolo de autoridade porque é uma das residências do presidente da República", justificou. O general conversou hoje, por telefone, com Fernando Henrique, que está na Itália. Para o ministro, alguns limites foram ultrapassados em relação às propriedades pelo Brasil a fora. "Mas aquela fazenda é um símbolo e por isso são necessários cuidados especiais em relação a ela", insistiu, ao explicar a presença da PF em Buriti.
"Vimos por aí que em algumas invasões, caseiros foram mortos e ali tem um caseiro com sua família, que precisa ter a sua segurança preservada", acentuou. "É o caso da PF estar lá sim, porque é um símbolo da autoridade máxima nacional". De acordo com o general, o presidente está preocupado com a ameaça dos sem-terra, "não como proprietário, mas como uma autoridade que está com sua propriedade sob ameaça, ameaça essa descabida". A orientação do governo é negociar e evitar a confrontação. "Se houver a confrontação, ela terá sido provocada por quem estará tentando invadir a fazenda do presidente", prosseguiu.
O general lembrou que o ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, está retornando da Itália para acompanhar o desenrolar dos acontecimentos na fazenda. Cardoso comentou que o Instututa Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já está lá negociando com os sem-terra, mas houve um "impasse artificial", sobre onde se dará a conversa entre os dois lados: se na sede do município, ou em frente à fazenda. "A nossa esperança é de que em curto prazo, nas próximas horas, o problema seja resolvido".
A idéia de fazer uma movimentação na frente da fazenda, na avaliação do general, pode ter dois motivos: tirar o brilho da visita ao exterior do presidente ou chamar atenção, nacionalmente, para a causa (agrária). O general acentuou que só espera que os sem-terra "não estejam arregimentando mais massa de manobra para ameaçar mais ainda em uma tentativa de invasão à fazenda do presidente". "Se houver tentativa de invasão vai receber o bloqueio dos órgãos policiais que lá estão".

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