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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Kátia Brasil, especial para a AE 
Manaus, 18 (AE) - O barranco que formava o Porto do Cordeiro, no bairro Colônia Oliveira Machado, na zona sul de Manaus, voltou a ceder ontem, por volta das 13h05 (15h05 em Brasília). Uma faixa de terra de 70 metros de extensão caiu no Rio Negro, suspendendo o trabalho de resgate das vítimas do deslizamento ocorrido na terça-feira. Até então, 6 corpos tinham sido resgatados e havia 26 desaparecidos. Três corpos foram resgatados nas primeiras horas de hoje.
Os corpos identificados são de Jonelson da Silva Amaral, 23 anos, João Carlos de Souza Lioça, 28, Waldenor Martins Leitão
34, Cristiano da Silva Batista, 23, Marcelo Lima Fonseca, 17, e Tarcísio Rogério de Souza Araújo, de 20. Entre os desaparecidos há quatro mulheres e um bebê de 6 meses. O corpo de Waldenor foi reconhecido pelo seu patrão, Assen Cameli - primo do ex-governador do Acre, Orleir Cameli. À tarde, Orleir foi ao porto acompanhar a operação.
O comandante da Defesa Civil, coronel Vivaldo Barreto, disse que será difícil retirar as balsas soterradas terça-feira do fundo do rio. "Não colocaremos em risco a vida dos 80 homens que trabalham aqui, porque teremos nova tragédia". No local onde o barranco deslizou hoje, havia jornalistas, parentes das vítimas, soldados do Corpo de Bombeiros e voluntários da Defesa Civil. Todos correram em direção à Feira da Panair, a 250 metros, onde a terra aparentemente está firme. Não houve vítimas, mas toda a área, de 300 metros de extensão, foi evacuada.
Barreto garantiu que a Feira da Panair não está sob risco. Construída há mais de 30 anos, ela é formada por palafitas que ficam a 14 metros de altura - para fugir das cheias do rio - e recebe por dia cerca de 5 mil pessoas. "É evidente que ela corre risco de desabar", rebateu o arquiteto Roberto Moita. Embarcações - O porto, com 200 metros de extensão, era explorado por três empresas, interditadas. Com o desabamento do barranco sobre o qual estava o porto cerca de 20 mil metros cúbicos de terra caíram dentro do rio. Sob essa camada estão as 11 balsas, seis rebocadores, seis barcos e os corpos das vítimas do maior acidente registrado na zona portuária de Manaus. O porto atendia as embarcações que se deslocam para o interior do Amazonas, Cruzeiro do Sul (AC) e Pará. Cordeiro cobrava R$ 300 00 pelo embarque das balsas. Cada motorista de caminhão pagava R$ 10,00 para entrar na área de embarque.


