São Paulo, 18 (AE) - Além dos dois presos pela polícia, os três funcionários do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) que estavam no posto avançado do órgão no MorumbiShopping também foram levados para serem ouvidos hoje na sede do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird). Os promotores e os policiais da força-tarefa que apuram o caso cumpriram três mandados de busca e apreensão hoje - nas casas dos dois presos e no posto do Detran. Cinco promotores, três delegados do Dird, um da Corregedoria da Polícia Civil e outro da Corrgedoria do Detran participam das investigações.
"Temos informações de que existem seis despachantes que recolhem o dinheiro para o esquema", afirmou o promotor José Carlos Guillen Blat. Hoje à noite, os promotores saíram do Dird para realizar mais uma blitz em busca de provas sobre o esquema. De acordo com Blat, além de policiais e funcionários administrativos do Detran, também foram citados na investigação funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), da Prefeitura. "Esse esquema existe há muito tempo", afirmou.
Para ele, o incêndio no Detran teve por objetivo destruir provas incriminadoras, como assinaturas em documentos falsificados. "Isso não fica registrado no computador", afirmou. Blat disse que o Ministério Público está apurando o caso há dois meses. Há um, os promotores contam com os serviços do que eles chamam de "agente infiltrado no Detran", que fez o levantamento dos esquemas de corrupção no órgão. "O esquema é gravíssimo, assutador", afirmou. Blat chamou-o de "crime organizadíssimo", no qual existe divisão de tarefas e hierarquia até na distribuição do lucro.
Para saber quanto o esquema teria lucrado, o promotor afirmou que será necessário consultar a Secretaria da Fazenda e as contas do Dentran para tentar obter uma estimativa do prejuízo causado pelo esquema ao Estado. "O mundo dos depachantes pára na porta de entrada do órgão, onde ele entrega uma pastinha com dinheiro; queremos saber o que existe por trás do guichê".

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