São Paulo, 18 (AE) - Um despachante e um policial civil foram presos hoje numa operação conjunta dos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e do delegado Wagner Giudice, do Departamento de Identificação e Registros Diversos (Dird). Os dois presos são acusados de pertencer ao esquema de corrupção do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e tiveram suas prisões temporárias decretadas pela Justiça por cinco dias. Hoje, um incêndio atingiu dependências do Detran. Há suspeitas de que tenha sido criminoso.
Segundo o promotor Arthur Pinto de Lemos Júnior, um dos que participaram da operação, "há muito mais gente envolvida no esquema". Perguntado se entre essas pessoas há gente gráuda", o promotor respondeu que sim. "A investigação não vai prender-se a verificar somente a conduta de despachantes, ela tem por objetivo esclarecer a corrupção dentro do Detran", afirmou Lemos Júnior. Além das prisões, os membros da força-tarefa apreenderam documentos, uma placa de um carros e placas pequenas com o nome da cidade de São Paulo na casa do despachante Norival Barbosa, o Índio. Ele começou a ser interrogado no fim da tarde de hoje.
Segundo denúncia recebida pelo Gaeco, Índio é responsável pela arrecadção de dinheiro com outros despachantes para repassá-lo aos funcionários do Detran. Esse dinheiro serviria para sumir, por alguns dias, das telas dos computadores do órgão as informações sobre o bloqueio de multas dos veículos. Assim, esses veículos podem ser licenciados pelos novos proprietários sem que o dinheiro das multas precise ser recolhido. O advogado do despachante, Carlos Luis de Toledo Piza
disse hoje à tarde que ainda não podia dar qualquer informação sobre a situação de seu cliente.
O outro acusado é um agente policial lotado no Detran cujo nome não foi revelado. Embora estivesse afastado do trabalho, ele estava atendendo despachantes no posto avançado do Detran no MorumbiShopping, zona sul. O posto foi um dos locais revistados pela força-tarefa, que apreendeu documentos no local. Por meio de um mandado de busca e apreensão, os promotores revistaram a casa do policial, onde apreenderam um cofre com cerca de R$ 20 mil. Além disso, foram achados R$ 500,00 na carteira do acusado.
"Ele disse aos promotores e ao delegado da Corregedoria do Detran que o dinheiro da carteira era de propina", disse o promotor. Segundo ele, o policial não poderia atender aos despachantes no posto avançado. A suspeita da força-tarefa é que o acusado recebesse o dinheiro para desbloquear as multas. O policial também ia ser interrogado sobre o pagamento de propinas no órgão. De acordo com o promotor, em tese, estão sendo investigados os crimes de corrupção ativa e passiva, formação de uarilha e falsificação de documentos. Incêndio - Para o promotor Lemos Júnior, o incêndio que atingiu hoje parte do Detran foi uma "queima de arquivo". "Não tenho dúvida alguma, tendo em vista o local em que o fogo ocorreu e as circunstâncias que envolvem esse incêndio, que isso foi uma forma de queimar as provas da corrupção", disse. Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) examinaram a área atingida pelo fogo no Detran das 8h30 até as 14h30. Os dois peritos que chefiavam a equipe estavam atrás de vestígios de solventes ou combustíveis no prédio que pudessem ter sido utilizados no caso de um incêndio criminoso.
Mesmo com o fogo e o trabalho de rescaldo dos bombeiros, os peritos consideram que é possível detectar o uso de algum material combustível. Eles também vasculharam a área em busca do ponto ou dos pontos de origem do incêndio, chamados pelos peritos de fonte do fogo. A existência de mais de um ponto de origem do incêndio é indício fortíssimo de que ele foi provocado e não acidental. A equipe do IC, além de recolher amostras de materil no local, também fotografou e filmou a área. O caso é prioritário para o órgão.

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