Rio, 18 (AE) - Um Fokker 100 da TAM, com 107 passageiros
parou a poucos metros da Baía de Guanabara, depois de ter problemas no trem de pouso, hoje pela manhã, no Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio. Ninguém ficou ferido e a pista principal do aeroporto ficou interditada durante todo o dia. "Ficou todo mundo tão assustado que ninguém deu um pio", contou a designer Ana Teresa Veiga, de 35 anos.
O avião - vôo 904, São Paulo-Rio - decolou do Aeroporto de Congonhas, zona sul de São Paulo, às 7h50. O presidente da TAM, comandante Rolim Amaro, cumprimentou os passageiros antes de eles entrarem no avião. "Ele chegou a comentar comigo que costuma usar uma gravata nova toda vez que voa", contou o executivo Serafim Marques, de 48 anos.
Segundo os passageiros, o vôo foi normal, mas na hora da aterrissagem, no Aeroporto Santos Dumont, às 8h44, houve um "baque forte". "A impressão foi de que o trem de pouso havia batido na cabeceira da pista", disse o engenheiro da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, Alceu Segamarchi, de 41 anos. O avião se arrastou por cerca de 50 metros, até parar sobre a grama, perto da Baía de Guanabara, tombado.
Pelo sistema de som, o piloto Willian Martins, de 41 anos, informou que teria havido "recolhimento do trem de aterrissagem". As portas de emergência não foram abertas de imediato e, quando isso ocorreu, as esteiras infláveis não foram acionadas. Alguns passageiros pularam cerca de um metro de altura. Outros foram retirados pelos bombeiros.
Reclamações - Os passageiros se queixaram da falta de atendimento da TAM depois do acidente. "Fomos liberados para o desembarque como passageiros de um vôo comun", afirmou a artista plástica Vivian Blankfeld, de 38 anos. Vinte pessoas tiveram a bagagem retida, entre elas a estudante Mariana Gonçalves, de 17 anos, que saiu de Rondônia para prestar vestibular no Rio. Ela temia que a mala, com cartão de confirmação da prova e livros, não fosse liberada até domingo, data da prova. Ela não recebeu nenhuma informação até o momento em que recebeu a bagagem, ao meio dia.
Carga - O excesso de carga sobre o trem de aterrissagem do Fokker 100 teria provocado o pouso forçado, segundo o vice-presidente Técnico Operacional da TAM, engenheiro Ruy Amparo. Ele descartou a hipótese de falha técnica, depois de vistoriar a aeronave, que tem quatro anos e passou pela última manutenção há uma semana. Segundo Amparo, o excesso de carga pode ter sido provocado por uma forte "corrente descendente" (lufada de vento de cima para baixo) ou por erro do piloto.
Momentos antes, a assessoria de imprensa da companhia havia informado que a empresa não estava considerando a hipótese de falha do piloto, que trabalha há 10 anos na TAM, tem 11 mil horas de vôo e é instrutor. Em nota à imprensa, Martins informou que havia sentido "a asa esquerda inclinar suavemente", no momento da aterrissagem.
O Departamento de Aviação Civil (DAC) vai analisar as duas caixas pretas do Fokker, recolhidas no local do acidente. Segundo análise preliminar dos técnicos do DAC, o pouso brusco na cabeceira da pista teria provocado a "fratura do trem de pouso esquerdo". O comunicado não mencionava falha humana.

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