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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Ribamar Oliveira 
Roma, 18 (AE) - O ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, disse hoje que o acampamento de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na entrada da fazenda do presidente Fernando Henrique Cardoso e a ameaça de invasão da propriedade são uma agressão à instituição da Presidência da República. "Uma bofetada em todos os brasileiros", disse. Para ele, "a Presidência é uma instituição de todos brasileiros e como tal precisa ser respeitada". A fazenda de FHC é em Buritis, MG.
Por causa da ação do MST, o ministro antecipou sua volta ao Brasil para hoje à noite. "Pedi ao presidente o meu desligamento da comitiva porque achei que devia retornar para resolver o problema", disse Jungmann, que amanhã (19) participaria do encontro de Fernando Henrique Cardoso com o Papa João Paulo II, no Vaticano. O ministro acusou o MST de manter o impasse.
Fernando Henrique Cardoso foi informado pelo general Jorge Alves de Carvalho, subchefe militar do Gabinete de Segurança Institucional, que agentes da Polícia Federal estão dentro da fazenda e tropa da Polícia Militar de Minas Gerais protege a entrada da propriedade. O presidente não quis falar sobre as ameaças de invasão de sua fazenda. "Isso é um problema do Brasil e não vou falar sobre isso aqui", respondeu.
Impasse- A manifestação oficial sobre o assunto foi feita por Jungmann, que acusou o MST de buscar o impasse político. "Nós estamos oferecendo dinheiro, estamos oferecendo crédito e o MST não quer isso", afirmou. "O MST quer o impasse político e é por isso que está fazendo a manifestação na frente da casa do presidente."O ministro garantiu que não haverá invasão da fazenda e nem violência contra os manifestantes.
Jungmann criticou duramente os dirigentes dos sem-terra. "O MST se encontra no pior momento de sua popularidade, tem o repúdio de boa parte da opinião pública e está cavando a sua própria sepultura". Para Raul Jungmann, "quem transforma uma luta justa, como a reforma agrária, numa luta política para atingir uma instituição do País, que é a presidência da República, está claramente agredindo todos os brasileiros". Ele disse que não há motivo para a presença dos militantes do MST na frente da fazenda de Fernando Henrique. "Temos dinheiro, temos crédito, temos disposição para resolver os problemas e estamos aberto ao diálogo", afirmou. "O MST é que quer fazer uma exploração política da situação".


