São Paulo, 18 (AE) - O novo projeto da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem) foi bem recebido por representantes da sociedade civil. Hoje, cerca de 450 pessoas ligadas aos direitos das crianças e dos adolescentes passaram a tarde reunidas com o governador Mário Covas apresentando seus comentários, críticas e sugestões.
Enquanto algumas delas ofereciam-se para participar de convênios e parcerias com o Estado, outras criticavam os quase dez anos que o governo demorou para montar um plano levando em conta o que determina o Estatuto da Criança e do Adolescente. Foram mostradas novas propostas. Entre as sugestões aplaudidas, estava a de uma ex-interna da Febem que propõe ao Estado dar trabalho aos jovens em liberdade assistida.
A reunião também serviu para anunciar a abertura de concurso público para a contratação de novos funcionários, detalhar as construções e reformas de unidades previstas e apresentar críticas de alguns prefeitos à construção de núcleos em suas cidades.
Sobrecarga - Alguns deles se queixam de que seus municípios já têm espaços demais destinados a serviços sociais do Estado. É o caso de Franco da Rocha. "Já temos o Complexo Hospitalar do Juquery, o Manicômio Judiciário, duas penitenciárias e duas unidades da Febem", reclama a diretora de Comunicação e Ação Social da prefeitura, Sonia Maria de Souza. "Além de tudo isso, ainda querem nos mandar mais duas Febem."
Sonia disse que a cidade não pede que o governo tire os adolescentes que já estão em Franco da Rocha, mas que mude seus planos em relação à construção de novas unidades. "O governador reconheceu que estamos sobrecarregados e prometeu rever o assunto; tenho esperança de que ele se sensibilize."
O prefeito de Sorocaba, Renato Amary, é outro que contesta a transferência de internos infratores da Febem para sua cidade. "Sou a favor de que cada município cuide de seus menores", disse. "Sorocaba, por exemplo, tem 53 jovens infratores; eu aceito uma unidade para cuidar dos meus menores, mas o projeto prevê a construção de três."
No caminho contrário, o prefeito de Santos, Beto Mansur, ofereceu o município para a construção de uma unidade. "Estou aqui para oferecer um espaço da cidade de Santos à Febem, porque acho que esse é um problema de todos nós." Mansur também sugeriu que Covas não só convidasse, mas convocasse os prefeitos para discutir o problema.
O governador se mostrou satisfeito com o que ouviu na reunião com a sociedade civil. "Estamos com um novo olhar, que foca o adolescente antes da infração cometida", disse. "O governo assume os erros que cometeu; fui o primeiro a dizer que não me agradava a política adotada em relação aos internos da Febem, mas agora me agrada esse novo projeto e vamos brigar por ele."

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