São Paulo, 18 (AE) - Reinaldo Ferreira de Santana era considerado pela Polícia Civil e o Ministério Público uma testemunha-chave da Máfia dos Fiscais . Seus depoimentos - nos inquéritos policiais e na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) -, foram decisivos para incriminar pelo menos dois políticos, o ex-deputado estadual Hanna Garib e o vereador José Izar, além do ex-secretário da Administrações Regionais Alfredo Mário Savelli.
O testemunho de Santana revelou esquemas de corrupção e arrecadação de propina de camelôs na região do Brás e da Lapa. Na CPI aberta pela Câmara em 1995 para investigar denúncias de camelôs, Santana já acusava Garib de participação em esquemas ilícitos na região do Brás.
Na CPI dos Fiscais, Santana manteve a posição. Sem medo de falar e revelar nomes, acusou Garib de continuar se beneficiando financeiramente de um esquema de extorsão contra camelôs. O presidente da Associação dos Lojistas do Brás, Wehber Youssef Dawalibi, o Jô, - que está foragido - também foi acusado de participar do esquema.
"É um homem violento", declarou Santana, referindo-se a Jô. "Já vi ele (sic) colocar arma até na boca de ambulantes." Para Santana, Jô era um dos prováveis mandantes do atentado contra outro camelô, Afonso José da Silva.
Santana contou que o vereador Izar determinava o recolhimento de dinheiro dos ambulantes por meio de funcionários da Administração Regional da Lapa. Quem comandaria o esquema, na regional, seria o irmão do parlamentar Wiiliams Izar. Ambos acabaram indiciados em inquéritos policiais.
O ambulante acusou também integrantes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de espancar camelôs. A empresa W.Sita foi acusada por Santana de obrigar camelôs a comprar suas barracas padronizadas, com a ajuda de funcionários municipais.
Surpresa - O delegado Romeu Tuma Júnior solicitou cópia do boletim de ocorrência sobre o assassinato do camelô. "Ainda não sei as circunstâncias da morte, mas quero e preciso saber", disse hoje à tarde. O fato também pegou de surpresa os promotores do Grupo de Ação e Repressão contra o Crime Organizado (Gaeco).
O ex-presidente da CPI dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT), acredita que o assassinato possa ter ligação direta com as revelações feitas pelo ambulante. "Desde a CPI de 1995, ele ajudou a desvendar os esquemas de corrupção com depoimentos muito fortes."

mockup