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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 18 (AE) - O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, admitiu nesta quinta-feira (18) em depoimento no Senado que pode ter sido enganado por assessores de sua estrita confiança no Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto (Indesp).
"Posso ter sido enganado? Todos estão sujeitos a isso", disse ele, citado como réu, por omissão, em ação de improbidade administrativa que será impetrada amanhã pelo Ministério Público no Distrito Federal.
Pela primeira vez, Greca levantou suspeitas sobre o ex-diretor de Administração e Finanças do Indesp, Luiz Antônio Buffara de Freitas, antigo auxiliar seu na prefeitura de Curitiba acusado de adotar critérios políticos na autorização de bingos pelo Indesp.
"Posso ter me enganado sobre ele, sobre tantas pessoas já me enganei", desabafou o ministro, negando envolvimento com irregularidades na autorização de bingos e formulação de uma portaria do Indesp.
Buffara, que também foi colega de faculdade de Greca no Paraná
pediu exoneração do cargo no mês passado, por motivos de saúde, depois da acusação de omissão na fiscalização de bingos em ação cautelar movida pelos procuradores da República Luiz Francisco Fernandes de Souza e Guilherme Zanina Schelb. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) pediu que Greca seguisse o exemplo de Buffara e renunciasse.
Investigações do Ministério Público e da Polícia Federal comprovaram que a portaria 23 do Indesp - que regulamentou as máquinas de videobingo, contrariando a Lei Pelé - foi elaborada fora do instituto, na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por funcionários da Conab e representantes de empresas ligadas a esquemas de lavagem de dinheiro da máfia italiana.
Uma delas, segundo o Ministério Público, era o então procurador-geral da Conab Paulo Araújo. Em seu depoimento de mais de três horas, Greca reafirmou que não conhecia Araújo nem sabia de reuniões na Conab para elaborar uma portaria do Indesp com a participação de empresários do setor de bingos.
O procurador Luiz Francisco, no entanto, afirmou que Greca "mentiu" em seu depoimento. "Temos provas de que o ministro conhecia Paulo Araújo", disse. O procurador afirmou que Greca será acusado hoje de ter "obtido vantagem econômica de qualquer natureza, pelo menos de forma indireta, para permitir o jogo de azar, porque adotava critérios políticos e não jurídicos nas autorizações para bingos".
Para o senador álvaro Dias (PSDB-PR), o desconhecimento do ministro sobre os atos relacionados a bingos seria sinal de incompetência. "Mas não tenho o senhor como incompetente", provocou Dias, que, como os demais senadores do Paraná, Osmar Dias (PSDB-PR) e Roberto Requião (PMDB-PR), defende a abertura de uma CPI dos Bingos. Greca, porém, disse estar disposto a abrir mão de seu sigilo bancário e telefônico.
O ministro responsabilizou o ex-presidente do Indesp Manoel Tubino por atos que motivaram as acusações de irregularidades, entre eles a assinatura da portaria 23, que substituiu, nos mesmos moldes, portaria de 1998. "É uma estultice dizer que Tubino foi obrigado a assinar", argumentou o ministro. Tubino poderá ser réu na ação do Ministério Público.
Resposta - Tubino qualificou hoje à noite de "teatral" o depoimento no qual Rafael Greca se defendeu das denúncias de irregularidades no Indesp. "O ministro me usou como escudo e tentou tirar a culpa dele", afirmou Tubino.
"Tudo, no Indesp, na área de bingos, era como Buffara", acusou, referindo-se ao ex-diretor de Administração e Finanças do instituto, Luiz Antonio Buffara de Freitas.


