Presidente Prudente, SP, 18 (AE) - Deputados, senadores e promotores de rodeios estão convencidos de que é preciso regulamentar a prática dessa atividade no País. A questão mais polêmica a ser enfrentada é a ambiental. Da forma que está a lei
uma festa de peão pode levar a comissão organizadora para a cadeia. Vários juízes já interpretaram as montarias como nocivas à saúde do boi e do cavalo e, atendendo a pedidos de entidades ambientalistas e de curadorias do meio ambiente, cancelaram muitas festas. A Constituição prevê prisão inafiançável para quem promove atividade considerada cruel para os animais.
"Não é possível mais que essa importante tradição popular brasileira, dependa de interpretações dúbias e contraditórias para continuar existindo no País", disse hoje o deputado Paulo Lima (PMDB-SP). Com apoio de entidades ligadas ao mundo dos rodeios, como o Clube dos Independentes de Barretos, responsável pela realização da maior festa do gênero no Brasil, da Federação Nacional do Rodeio Completo e de várias outras organizações ligadas aos peões de montarias, Lima pretende reunir na quarta-feira, em Brasília, 12 deputados, além do senador Lúdio Coelho (PSB-MS), para tentar unificar uma proposta de regulamentação da profissão e da atividade.
Carlos Dias, um dos diretores da Federação Nacional do Rodeio Completo, disse que entre os deputados que apóiam o rodeio estão alguns do PT, como Jair Menegueli, de São Paulo. Segundo Dias os deputados já fizeram as contas e verificaram que os rodeios "criam empregos e garantem qualidade de vida para milhares de brasileiros". Divergências - Mas há também projetos proibindo a prática dos rodeios no Brasil. Deputados como Vagner Salustiniani (PTB-SP) e José Tomaz (PSDB-AL) apresentaram projetos em tramitação na Câmara, que, se aprovados, vão acabar com todos os eventos, inclusive o de Barretos. Segundo eles, as montarias em touros, cavalos e provas equestres são "nocivas ao ambiente".
O assunto já dividiu até as duas maiores universidades paulistas. Veterinários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) assinaram documento atestando que as montarias não afetam a saúde dos animais, enquanto pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) condenaram os rodeios, analisando diferentes festas.
Para Carlos Dias, que também defende a união dos deputados para acelerar o processo de regulamentação, se já está provado que é possível realizar rodeios sem ferir os animais, basta estabelecer essas normas e criar mecanismos de fiscalização. "De nossa parte, estamos dispostos a cumprir as exigências".

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