São Paulo, 18 (AE) - As bolsas já se estão preparando para trabalhar com os novos instrumentos que vão estimular o mercado secundário de títulos públicos. Hoje, em seminário em que se discutiram as mudanças no perfil do mercado aberto brasileiro, o presidente da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), Manoel Félix Cintra Neto, disse que serão lançados seis novos produtos na área de renda fixa para ampliar as possibilidades de hedge (proteção) do mercado.
De acordo com Félix, o mercado de derivativos tem um papel fundamental no alongamento gradual da dívida pública mobiliária, que deve ser majoritariamente composta por títulos prefixados. O presidente da Bovespa, Alfredo Rizkallah, anunciou que até março a Bovespa terá um mercado secundário de títulos públicos, no qual os papéis serão negociados por meio eletrônico.
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, disse, no entanto, que não há data prevista para o lançamento de Letras de Tesouro Nacional (LTN) de longo prazo. A BM&F aguarda a fixação dessa data para lançar um mercado de derivativos desses papéis.
Figueiredo afirmou que os contratos relativos a esses papéis serão negociados com as seguintes características: cada contrato corresponde a R$ 100 mil de valor de resgate; número de vencimentos seria apenas um por data de resgate; o preço de exercício seria em taxa anual de juro; o início dos negócios para um vencimento seria de duas semanas antes do leilão primário do título; o tipo de opção seria americana; a forma de liquidação seria por entrega; e a data de vencimento seria próxima a do resgate.
O secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Isac Zagury, explicou hoje que um dos principais motivos que fazem com que o juro pago pelo governo pelos títulos federais seja superior aos papéis soberanos emitidos pela República no mercado internacional é justamente a atrofia do mercado secundário. "Isso faz com que a curva de juros seja ditada pelo setor privado, uma situação atípica em relação a outros países", explicou. Daí a necessidade de estimular esse mercado.
Zagury reafirmou que o governo quer acelerar o alongamento da dívida mobiliária e já a partir de dezembro passam a vigorar algumas medidas para tornar o processo viável, como a realização de somente três leilões de venda às terças-feiras. O governo quer também reduzir o volume de vencimento de títulos - hoje cerca de 200.
O chefe do Departamento de Mercado Aberto do Banco Central, Eduardo Nakao, disse que o BC vai reduzir ao mínimo o número de operações nos dias 30 de dezembro e 3 de janeiro para evitar problemas decorrentes do bug do ano 2000. O BC se dispõe a recomprar os papéis com esses vencimentos, numa operação de mercado, "sem nenhum subsídio intrínseco", afirmou.

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