São Paulo, 18 (AE) - O reajuste médio de tarifas de serviços públicos para o próximo ano não vai ultrapassar a meta de inflação fixada pelo governo em 6%, informou hoje o diretor de Política Monetária do Banco Central Luis Fernando Figueiredo. Ele explicou que os contratos firmados com as empresas prestadoras de serviços prevêem, na média, reajustes justamente dentro da meta traçada para a inflação. "Há espaço para que os reajustes acompanhe os 6% ou mesmo fique abaixo, sem causar pressão na inflação".
Durante seminário sobre as Mudanças nos Mercados Primário e Secundário da Dívida Pública Mobiliária, Figueiredo explicou que o mercado não deve analisar a inflação "olhando para o retrovisor", ou seja para os números passados que, embora tenham surpreendido, já foram absorvidos. O importante "é olhar para frente", e os sinais indicam que as pressões passadas não vão se reproduzir, na sua avaliação.
Além do reajuste das tarifas previstos para o próximo ano, Figueiredo destaca que não há espaço para permitir o repasse do aumento dos preços no atacado para os preços ao consumidor porque a demanda continua baixa. E mesmo se a demanda subir a indústria poderá aumentar a produção porque tem capacidade ociosa.
Os índices de preços do atacado - que têm superado as estimativas mais pessimistas -, segundo Figueiredo também devem ser melhor analisados. Em primeiro lugar porque os números traduzem o preço de tabela das indústrias e não o preço real, o que significa que a diferença entre os índices de preço ao atacado e ao consumidor é menor do que realmente se verifica.
No casos dos carros, por exemplo, houve um aumento de 12%. As concessionárias, segundo ele, repassaram para os consumidores uns 5%. Isso mostra que muitas vezes o preço no atacado apresenta distorções e mesmo que se tente transferi-los, o consumidor está resistindo aos aumentos.
Figueiredo atribuiu as altas dos índices de preços ao consumidor a fatores sazonais (a entressafra da carne), ou pontuais (aumentos dos carros) que não devem se repetir.

mockup