São Paulo, 18 (AE) - A 12ª Feira Nacional de Transportes 99 (Fenatran), realizada entre os dias 8 e 12 de novembro, no Anhembi, em São Paulo, pode movimentar nos próximos meses US$ 5 bilhões. A estimativa é da Associação Nacional de Transporte Rodoviário de Carga (NTC) e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que promoveram a feira. Segundo os transportadores de carga e executivos do setor
o número de vendas e de visitantes superou as expectativas e fez da Fenatran a maior e mais importante feira técnica da América Latina.
A Fenatran 99 recebeu cerca de 30 mil visitantes numa área de 65 mil metros quadrados no Anhembi, em São Paulo. O desempenho das vendas surpreendeu os 184 participantes do evento
já que o mercado de caminhões está em retração (as vendas de caminhões em outubro deste ano, segundo a Anfavea, ficaram 17% mais baixas do que em setembro). Algumas montadoras comercializaram dezenas de veículos durante a feira. A Ford, por exemplo, vendeu 280 caminhões. "Vendemos todos os veículos em exposição", contou o gerente nacional de vendas de caminhões da Ford, Oswaldo Jardim. "Alguns frotistas puxaram o cheque na hora".
A NTC não tem números fechados do total de negócios realizados na Fenatran. As negociações com os clientes, mesmo que iniciadas durante a feira, podem demorar meses.
Além das montadoras, que apresentaram os lançamentos de caminhões e utilitários, participaram da Fenatran: transportadores de carga; fabricantes de implementos rodoviários
autopeças, motores e pneus; distribuidores de petróleo; e empresas de segurança, informática, logística e seguros, entre outras companhias.
A Fenatran é uma feira técnica que acontece de dois em dois anos. Esse ano foi a primeira vez em que a NTC uniu-se à Anfavea para promover o evento, organizado pela Alcântara Machado, em parceria com a Technibus. A Anfavea promovia a Brasil Transpo, feira de caráter mais comercial que unia o transporte de passageiros e o de cargas, o qual ocorria na mesma época. Os organizadores concluíram que o mercado de transporte nacional não comportava dois eventos grandes e uniram forças na Fenatran.
Em 2001, a feira poderá mudar de nome e ganhar um caráter mais comercial. Segundo a assessoria de Imprensa da NTC, os organizadores pretendem trazer participantes internacionais na próxima edição do evento.
Montadoras - O gerente da Ford declara que a montadora espera fechar um grande volume de negócios iniciados durante a Fenatran, além dos 280 caminhões já vendidos. A Ford tem atualmente 22,7% do mercado de veículos de carga, um aumento em relação aos 20,7% do ano passado. Seu maior destaque na Fenatran foi o caminhão CG Cargo 814, um veículo próprio para transporte nas grandes cidades.
A Scania montou um dos estandes mais criativos. Tendo a ecologia como tema, o estande, de 1.700 metros, foi visitado por cerca de 3.000. A montadora contabilizou a venda de mais de 100 caminhões. Segundo o diretor geral da Scania do Brasil, Flávio Mermejo, a empresa realizou durante a Fenatran a assembléia do consórcio, que reuniu 1.100 pessoas. O trabalho gerou 273 cotas de consórcio, três vezes mais do que o que é fechado durante o mês. Em função da Fenatran 99, 720 novas cotas de consórcio foram vendidas em todo Brasil.
Mermejo não acredita que o mercado de caminhões terá grande recuperação. Para ele, o setor de transporte rodoviário de cargas está retraído por causa dos baixos fretes. Mermejo diz que o bom desempenho das vendas da Scania na Fenatran se deve aos baixos preços dos caminhões. "Os frotistas que têm condições de investir agora, estão querendo aproveitar os preços baixos do mercado."
A GMC informou, através de sua assessoria de Imprensa, que muitos negócios foram iniciados durante a Fenatran e que está previsto aumento de vendas nos próximos dois meses. A montadora não revela números, mas informa que a sua participação no evento foi "totalmente compensadora".
A Mercedes-Benz do Brasil vendeu na Fenatran um lote de 60 caminhões para a transportadora BTI Braspress. A montadora informou que 20 dos veículos serão entregues a curto prazo. A Mercedes também recebeu um grande número de propostas para a compra de caminhões e para cotas de consórcio.
A Volkswagen informou que tem uma estimativa de vendas fechadas ou encaminhadas na Fenatran de 50 caminhões. A Volks teve um crescimento de 3,5% nas vendas de veículos de carga entre janeiro e setembro deste ano. Segundo o gerente de marketing da empresa, Carlos Signorelli, se as vendas continuarem nesse patamar a montadora poderá fechar o ano com o melhor resultado de participação no mercado de caminhões desde 1981. A fatia da Volks no mercado nacional subiu de 16,5% em 98 para 20,3% este ano.
O presidente da Anfavea, José Carlos da Silveira Pinheiro Neto, afirmou na abertura da Fenatran que o Brasil tem 1 milhão de veículos de carga em circulação. Segundo ele, a frota será insuficiente se a economia começar a expandir. "Temos um potencial enorme de crescimento."

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