Brasília, 18 (AE) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, disse hoje que a elevação das taxas de juros não é o instrumento mais adequado para conter a inflação registrada nas últimas semanas. Se os preços estivessem subindo por excesso de consumo - como ocorreu, por exemplo, logo depois do Plano Real - a elevação dos juros serviria para conter a demanda e, assim, reduzir a inflação. No entanto, a alta dos preços foi provocada por outras razões: entressafra rigorosa que elevou os preços alimentos, alta do petróleo e reajustes de alguns produtos com peso elevado na formação dos índices de inflação, como automóveis e álcool. Nesse quadro, a elevação dos juros não ajuda, segundo explicou o secretário.
O que pode ajudar, nas atuais circunstâncias, é a queda na cotação do dólar. Segundo Amadeo, a desvalorização do real tem afetado principalmente os preços no atacado, o que acaba tendo algum reflexo nos preços ao consumidor final. O secretário acredita que a manutenção do dólar a cotações elevadas por longo tempo afeta não só os custos de produção no País, como acaba agindo negativamente sobre as expectativas. Dentro dessa avaliação, disse ele, "faz sentido o Banco Central entrar no mercado de câmbio", para conter o dólar.
Novembro - Ele afirmou, ainda, que o governo espera índices mais baixos em novembro, porque vários elementos que puxaram os preços em outubro terão desaparecido. Segundo o secretário, 90% da inflação de 1,19% medida no mês passado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) são explicados por três produtos: carros, álcool e carne bovina.
O aumento dos carros, decorrente do fim do acordo entre governo e montadoras que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), não se repetirá em novembro. Da mesma forma, o governo já baixou medidas para reduzir o preço do álcool nas bombas, de modo que o produto não pressionará a inflação deste mês. Finalmente, o preço da carne bovina já está em queda. Ontem o preço da arroba comercializada em São Paulo havia caído 1,2%, segundo informou Amadeo.
O abastecimento está-se regularizando porque as pastagens se recuperaram, depois da estiagem. As carnes de frango e suína também deverão registrar recuo, pois seus preços acompanham os da carne bovina.
O secretário negou, ainda, que a retomada do crescimento da economia, previsto para a virada do ano, não deverá provocar pressões inflacionárias. "Estamos no fundo do poço, não crescemos há dois anos e, quando começamos a reagir, há temor de inflação?" questionou ele.
"Se é assim, não há política econômica que resolva o problema." Segundo Amadeo, dois fatores jogam a favor do crescimento sem inflação: o aumento da produtividade das empresas brasileiras e a capacidade ociosa na indústria nacional. Ele acredita que esses dois elementos criam espaço para que a atividade econômica volte a crescer, sem que isso afete os preços. "O governo está disposto a testar esses limites", afirmou.

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