Rio, 18 (AE) - A inflação deu um novo salto entre 21 de outubro e 10 de novembro e ficou em 1,87%, segundo cálculo da segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM), da Fundação Getúlio Vargas. A expectativa dos técnicos da FGV é de que todos os índices de inflação calculados pela entidade (IGP-10, IGPM e IGP-DI) ultrapassem a marca de 2% em novembro, podendo chegar próximo de 2,5%.
Para o consumidor final, a inflação, que já está acumulada em 7,97%, pode representar, este ano, uma variação entre 9,5% e 10%. Embora sejam os preços no atacado que continuem influenciando mais na elevação das taxas, o consumidor já está sentindo os efeitos da inflação.
Principalmente na alimentação, que dobrou do segundo decêndio (o grupo dos dez últimos dias de um mês somado aos dez primeiros do seguinte) de outubro para o de novembro, passando de 0,49% para 0,97%.
Carnes, frango, ovos, arroz e feijão tiveram aumentos no comércio varejista que variaram entre 2,8% a 4,7%. Estes reajustes são muito fortes, mas ainda ficam bem abaixo da subida de preços no atacado, no mesmo período, como o das aves (7,3%) e carne de boi (5,61%). "Ainda haverá repasse do setor de alimentação no curto prazo", prevê o chefe do Centro de Estudo de Preços da FGV, Paulo Sidney Melo Cota.
Ele comenta que alguns fatores contribuirão para puxar ainda mais a inflação no mês e meio que falta para encerrar o ano: a liberação do 13º salário; o rendimento negativo que está sendo observado na poupança; a criação de facilidades para o crediário e o leve aquecimento da economia.
Até agora, o País tem assistido à chamada "inflação de oferta", causada basicamente pelos efeitos da estiagem sobre os produtos agrícolas, pelo aumento de custo da produção industrial e pelo aumento da importação agrícola. A partir de agora, deve ser sentido um pouco o impacto de uma inflação de demanda, incentivada pelo aumento de rendimento da população no fim de ano.
Cota chama a atenção para o fato de os três índices que compõem o IGPM terem subido. O Índice de Preços por Atacado (IPA), que tem peso de 60% no cálculo geral, continua sendo o que registra variações mais expressivas: 1,80% na segunda prévia de outubro e 2,50% em novembro. O setor agrícola foi o principal responsável pela elevação. "Houve focos de aumento entre os agrícolas que chegaram a 29,9%, como no caso do café em côco", disse Cota.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que pesa 30% na formação do IGPM, quadruplicou, passando de 0,24% no segundo decêndio de outubro para 0,96% no mesmo período de novembro. O Índice de Nacional de Custos da Construção (INCC), por sua vez, subiu de 0,7% para 1,02%.

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