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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas e Mônica Ciarelli 
Rio, 18 (AE) - A estratégia do governo de conter a inflação com a alta dos juros é equivocada, na opinião do economista-chefe do ABN Amro, Rubens Sardenberg. Para ele, o problema está no aumento concentrado em alguns itens. "As pressões nada têm a ver com excesso de demanda: são localizadas, têm a ver com entressafra e câmbio", disse Sardenberg.
A segunda prévia do IGP-M, divulgada hoje, mostra a tendência de um comportamento mais tranquilo dos preços ao consumidor, segundo o economista. "Os índices importados sofreram com o câmbio e a commodity café subiu 30%, impactando o IPA, mas esse itens não têm o mesmo peso no IPC", explicou. O IPA ficou muito além das previsões do ABN, de 1,60%, mas o IPC, que inclui serviços, ficou dentro do esperado.
"Também não há nível de atividade econômica para sancionar aumentos no varejo", completou. Sardenberg diz que o governo deveria pensar em outras opções: "Trabalhar com calma as tarifas de preços administrados, fazer uma política fiscal adequada e preocupar-se com o câmbio". A economista de um banco norte-americano afirmou que a estratégia de vender dólares adotada pelo governo é adequada, já que os produtos comercializados no exterior e mais afetados pelo câmbio foram os que mais sofreram aumentos de preços.
A alta da inflação ficou acima das expectativas do economista do Lloyds Bank Adauto Lima. Para ele, o governo precisa trabalhar para jogar a taxa de câmbio abaixo do nível de R$ 1,90. Ele não espera uma alta de juros para conter os reajuste de preços, mas alertou para o perigo de a população começar a exigir aumentos salariais acima da inflação. "O risco é a sociedade achar que a inflação está voltando", afirmou.


