Rio, 18 (AE) - O consultor financeiro Pedro Paulo Camões e sua esposa, a corretora de seguros Yara Camões, preparam-se para entrar na Justiça contra o Banco Bandeirantes. O processo será somado às centenas de ações movidas por correntistas, que reclamam de cobrança indevida de juros e tarifas. No mês passado
a AGÊNCIA ESTADO distribuiu um relatório do Banco Central que confirma as irregularidades, feitas entre 1994 e 1996, antes de o Bandeirantes ser vendido ao grupo português Caixa Geral de Depósitos, em março de 1998.
O casal preparou um dossiê com toda a movimentação de sua conta corrente entre setembro de 1994 e setembro de 1998. Com intervalos de dias, o Bandeirantes cobrava uma taxa repetida de R$ 9,89, sob o chapéu "diversos", além de tarifas isoladas de valor mais alto, o que está sendo contestado. "Em alguns meses, a cobrança indevida passava de R$ 200", diz o consultor.
Camões também contesta a cobrança de juros do cheque especial, acertados em 12% ao mês. O consultor refez a movimentação dia por dia aplicando os 12%, segundo ele, seguindo a metodologia de cálculo de juros compostos do banco. No final de cada mês, na comparação com o extrato real, encontrou sempre uma diferença, para cima, nos juros.
Quando foi reclamar as cobranças indevidas, Camões entregou os extratos à agência Botafogo. O banco não devolveu e quis cobrar R$ 400 pelo total das folhas que iria fornecer, a pedido do consultor. Mas a 9ª Vara Cível do Rio exigiu que o Bandeirantes entregasse os extratos sem custo.
Pelos cálculos do correntista, essas taxas e os juros superestimados teriam deixado sua conta no vermelho, quando deveria estar no azul desde agosto de 1995. Também teria havido cobranças duplicadas de saques no Banco 24 horas. No final do período analisado, Camões reclama um saldo de R$ 7.502,29, em vez da dívida de R$ 3.323,25. "O pior é que estou com o nome sujo no Serasa desde fevereiro deste ano e não sei quanto pode demorar esse processo", disse.
O casal tentou notificar o Bandeirantes no Rio, mas, conforme documento do oficial de Justiça, uma funcionária informou que não havia mais na cidade representantes legais do banco. Por isso, o processo será direcionado à agência Botafogo e seu representante legal, o gerente.

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