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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Denise Ramiro 
São Paulo, 18 (AE) - O nervosismo que tomou conta do mercado é a "contrapartida de um otimismo exagerado" que dominava o mercado no início do mês. A avaliação é do economista-chefe do Lloyds Bank, Odair Abate. Segundo ele, parte do mercado não vinha dando importância suficiente aos resultados altos dos índices de inflação no atacado nos últimos quatro meses, porque os preços do varejo estavam bem comportados. Assim como não vinham recebendo o devido peso, na sua opinião, fatores como a alta do petróleo e de outras commodities, desvalorização do real e reaquecimento da economia.
De acordo com Abate, os índices inflacionários anunciados na semana passada, acima das projeções, e a decisão do Comitê de Política Monetária, de manter a taxa Selic em 19% e mudar o viés de baixa do juro para neutro, gerou o atual clima de apreensão. Apesar disso, o economista não vê motivos para alarde e acredita que há condições de o governo gerenciar bem a situação.
Seu otimismo é baseado na expectativa de um melhor resultado da balança comercial e fluxo menor de pagamentos externos no primeiro trimestre do ano que vem. Na sua opinião, essas perspectivas, aliadas ao fato de que o governo tem poder para conter as altas do câmbio - amparado por um volume razoável de reservas cambiais - e da inflação - levando-se em conta que o ritmo de crescimento da economia é insuficiente para promover aumentos significativos de preços - podem manter a economia estabilizada.
Ele admite, no entanto, que a desvalorização da moeda e os aumentos de custos abriram espaço para que as empresas aumentem preços, assim como a perda do poder aquisitivo permite reajustes de salários. Para ele, o importante é que esses dois reajustes não ocorram com muita intensidade e nem sejam praticados no curto prazo.


