Rio, 18 (AE) - O governo terá trabalho para evitar que os reajustes nos preços industriais contaminem a inflação ao consumidor neste final de ano. A Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que oito dos 20 setores pesquisados estão dispostos a elevar seus preços acima da média do setor. A maior pressão virá do ramo de automóveis, com 100% das montadoras prevendo fortes aumentos para o último trimestre do ano.
"Com o fim do acordo automotivo, o setor está com mais apetite para subir os preços", explicou o diretor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Salomão Quadros. Nem a expectativa de queda na produção e na geração de empregos está desanimando o setor, que pretende repassar ao consumidor seus reajustes. A sondagem mostrou que 57% dos empresários esperam uma retração na produção de automóveis no último trimestre do ano, enquanto apenas 13% acreditam em uma recuperação da atividade.
Mas, a pressão inflacionária não ficará concentrada apenas no segmento automobilístico. Os empresários dos ramos de refrigeração, siderurgia, eletrodomésticos, produtos alimentares
celulose e papel, petroquímicos básicos e têxtil também estão dispostos a repassarem seus aumentos de custos. A sondagem da FGV foi realizada com 1.493 companhias, que juntas faturam R$ 169,9 bilhões.
Quadros destacou que alguns desses segmentos têm um peso grande na cesta de consumo da população brasileira, como alimentos, eletrodomésticos e têxtil. "As empresas de bens duráveis vão liderar os reajustes, pois tiveram dificuldades de repassar aos preços os aumentos de custos este ano", afirmou. "O reaquecimento da economia e a melhora do crédito vão abrir caminho para esse movimento."
A pesquisa mostrou ainda que entre os setores consultados, 12 prevêem uma queda do nível de emprego acima da média da indústria entre outubro e dezembro. Os dados indicam que 80% dos fabricantes de caminhões esperam enxugar seus quadros de funcionários, enquanto 51% das siderúrgicas pretendem demitir. O ramo de calçados deve liderar as contratações neste final de ano, com 32% dos empresários apostando em uma ampliação de seus quadros. "A desvalorização cambial deu um novo gás à indústria de calçados, que projeta um forte crescimento da demanda para o último trimestre", analisou o diretor da FGV.
Exportações - A sondagem mostrou que a indústria está de olho no comércio exterior. Dos 20 ramos consultados, 11 prevêem aumentar suas exportações no próximo ano. O setor de máquinas e equipamentos deve liderar esta retomada das vendas externas, com destaque para o segmento de tratores e máquinas de terraplanagem. Cem por cento deste ramo espera ampliar suas exportações no ano que vem.

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