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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 18 (AE) - A possibilidade de um novo choque do petróleo, que poderia detonar uma explosão inflacionária no Brasil, é considerada fora de cogitação pela equipe de analistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas. A elevação vertiginosa no preço internacional do óleo bruto, que já acumula alta de 227% desde o início do ano, é considerada pelos técnicos como uma consequência da queda também exagerada do ano passado, quando a commodity chegou ao nível de 1973.
A Carta do Ibre, editorial da revista "Conjuntura Econômica", da FGV, dedica este mês três páginas à análise da alta do petróleo e seus reflexos na economia nacional. A conclusão é de que "se os países consumidores têm pouca razão para se preocupar, menos ainda o Brasil".
Os técnicos admitem que há o problema do impacto da alta dos preços internacionais sobre a inflação doméstica e sobre o ajuste fiscal, mas alegam que este risco existe somente no caso de os preços internos não refletirem integralmente o encarecimento do produto importados.
Caracterizando estas altas como transitórias, os técnicos da FGV concluem que, para se transformar em inflação, os preços têm de ser acompanhados de uma política monetária mais frouxa, com alto grau de correção monetária e indexação dos salários aos preços, o que não vem ocorrendo na economia brasileira. Além disso, o saldo da moeda não está em expansão. "As taxas reais de juros caíram muito e as condições de crédito melhoraram, mas ainda estamos longe de uma política monetária minimamente expansionista", diz o documento.
Com relação à indexação, os analistas lembram que o mercado varejista de derivados de petróleo não conseguiu repassar totalmente aos aumentos de preços ocorridos no atacado. Outro fator a favor do Brasil, segundo a análise, é o aumento da produção nacional, que reduziu a dependência do óleo bruto importado. A compra de petróleo no mercado externo já representou 30% da pauta de importações, mas no ano passado ficou reduzida a 3% das despesas da balança comercial.
A média anual de aumento da produção nacional foi de 7 7% de 92 a 98 e, este ano, até agosto, a elevação chegava a 18%. Segundo estimativa da FGV, as despesas com importações, que no ano passado foram de US$ 2 bilhões, devem chegar ao fim de 99 em US$ 1,8 bilhão, trabalhando com uma média de preço no mercado externo de US$ 18 por barril.
O diretor-financeiro da Petrobras, Ronnie Vaz Moreira, acredita que o preço internacional "está num nível muito elevado", mas comenta que não há ainda uma projeção oficial para o comportamento da commodity. Lembrando que a Petrobras adotou, em seu planejamento estratégico, o custo médio de US$ 15 para o barril de petróleo até 2005, ele dá a entender que a expectativa é de redução do nível atual.


