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quinta-feira, 18 de novembro de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 18 - A convergência de tecnologias para transmissão de voz, dados e imagens através de uma mesma rede deverá se consolidar no Brasil nos próximos dois a três anos, seguindo a expansão do mercado de Internet vai criar um grande mercado para tecnologias de banda larga. A avaliação foi feita hoje pelo vice-presidente de novos negócios em sistemas de redes óticas da Lucent Technologies, John Beagley, durante o seminário "A R/Evolução nas Comunicações Globais", promovido pela empresa, em São Paulo.
Segundo Beagley, o número de usuários de Internet deverá dobrar nos próximos dois anos na América Latina, atingindo 40 milhões de pessoas. Para ele, é justamente esse novo volume de informações que as redes de banda larga irão atender. De olho nesse mercado, a Lucent está desenvolvendo novas tecnologias com base em fibra ótica de alta capacidade. No início do próximo ano
deverá entrar em operação a unidade de produção de cabos óticos na fábrica da Lucent, em Campinas, interior de São Paulo, um projeto que consumiu US$ 50 milhões em investimento.
A empresa está promovendo uma série de apresentações em sete países da América Latina, incluindo o Brasil, para demonstrar a sua nova linha de soluções para a banda larga. Uma delas é o roteador ótico de alta capacidade, denominado WaveStar LambdaRouter. Ele é capaz de direcionar 10 vezes mais o tráfego da Internet atual em um segundo, gerando uma economia de até 25% em custos operacionais para as empresas. Com esse novo roteador, a Lucent assegura que os provedores de rede poderão oferecer acesso instantâneo aos clientes, além de outros serviços de transmissão em alta velocidade. A solução estará no mercado em quinze meses, segundo a empresa.
Além disso, a companhia está apresentando produtos que fazem uma conexão direta entre servidores e redes IP óticas, o que permite aos computadores baixar arquivos grandes a velocidades até 50 vezes maiores do que as atuais. São placas adaptadoras de rede, que vão permitir uma conexão de até 2,5 bilhões de bits, contra uma conexão média atual de 45 milhões de bits. "A ascensão da Internet e o aumento da demanda por serviços avançados de dados levaram a um aumento exponencial no tráfego de telecomunicações. O problema é que os provedores de serviços estão tendo dificuldades em manter a capacidade de chamadas em suas redes com as fibras em uso atualmente", explicou Beagley.
Ele não soube quantificar o mercado potencial de banda larga no Brasil em termos de investimentos, mas destacou que hoje o mercado de voz em todo o mundo movimenta US$ 500 bilhões por ano, e que a transmissão de dados é de apenas 9,4% desse total. Isso porque, segundo ele, boa parte dos circuitos e redes atuais não podem comportar um tráfego maior. Com a implantação de soluções de banda larga, haverá uma expansão significativa, afirmou.
No Brasil, por exemplo, Beagley acredita que a entrada das empresas-espelho e a renovação das redes promovidas pelas atuais operadoras de telecomunicações no País permitirão que a velocidade de implantação das redes de banda larga seja maior do que nos demais países da América Latina. O mercado brasileiro, hoje, pelos seus cálculos, é responsável por dois terços das operações de Internet na América Latina, e poderá crescer muito à medida em que o acesso for se tornando mais barato. O Brasil é o principal mercado de toda a região latino-americana para a Lucent.


