Brasília, 17 (AE) - O depoimento de quase seis horas do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, hoje na Câmara dos Deputados conseguiu afastar por enquanto a convocação de uma CPI para verificar as denúncias de corrupção no Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER).
Padilha, que contou com a presença de todos os líderes dos partidos da base governista e de dezenas de parlamentares do PMDB, negou mais uma vez ter conhecimento de irregularidades no órgão e afirmou ter tomado providências para apurar as denúncias.
"Este assunto ainda não está encerrado", disse o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno, depois do depoimento. Ele reconheceu não existir elementos suficientes para fundamentar um pedido de criação de uma CPI do DNER, mas afirmou que a oposição continuará atenta às denúncias contra o órgão. Padilha saiu da Câmara com a sensação de ter convencido os membros das comissões de Fiscalização e Controle e Viação e Transportes. "Fiquei satisfeito", disse ele.
Segundo o ministro, o DNER é uma autarquia autônoma, que tinha "absoluta competência" para fazer acordos sobre o pagamento de precatórios. Só no DNER existem 35.023 ações judiciais tramitando e em todos os órgãos ligados ao Ministério há cerca de 90 mil ações.
Padilha negou que tivesse conhecimento dos problemas envolvendo o pagamento destas indenizações. Disse também que não sabia de nada que prejudicasse o ex-diretor financeiro do DNER, Gilson Moura, e o ex-procurador-geral Pedro Elói Soares. A decisão de demití-los foi tomada, segundo o ministro, depois das denúncias. O deputado Caio Riela (PTB/RS) pediu que Padilha se afastasse do ministério até que as denúncias fossem esclarecidas.

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