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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 17 (AE) - Dossiê elaborado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e entregue à CPI do Narcotráfico traz os nomes de seis organizações criminosas "paraguaio-brasileiras", que seriam as principais responsáveis pelo tráfico de drogas e contrabando de armas para o Brasil e transporte de reagentes químicos para os países produtores de drogas. Segundo delegados da Polícia Federal que investigam o narcotráfico, a Senad entregou uma lista de nomes de "velhos conhecidos" do crime organizado.
Na lista entregue pela Senad, aparece o nome do brasileiro Nilton Andrade, o "Don Pepito", que estaria preso na Bolívia, mas que ainda movimentaria o tráfico de drogas e o contrabando de armas no Brasil, no Paraguai e na Bolívia. Também aparece o nome do brasileiro Fahd Jamil Georges. Ex-padeiro que ficou milionário em Ponta Porã (MS), Jamil disse a um delegado da PF em 1982 que não se envolvia em negócios ilícitos e que tinha comprado fazendas e navios para "viver de renda".
Entre as organizações brasileiras ainda aparece outro grupo
o chamado "Cartel Japonês". É uma organização que ainda não teria sido completamente rastreada pelo serviço de inteligência do governo. O sobrenome "Fuji Kita" aparece nas investigações, mas a Senad prefere não revelar detalhes para evitar o comprometimento das investigações. A lista de Maierovitch inclui ainda nomes de traficantes paraguaios que têm "presença assinalada" no Brasil. São eles: Oscar Morel Quiñonez, Marcelino Colmán e Luiz González, conhecido como Gringo. Oscar Morel é traficante antigo, conhecido pela PF como um dos chefes de uma organização que tem representantes em Amambaí (MS). Colmán e Gringo estariam vivendo no Paraguai.
Mitos - A avaliação que se faz dentro da PF é de que alguns nomes entregues por Maierovitch são quase "mitos" do tráfico de drogas no País, devido ao tempo que vêm agindo, à dificuldade em rastrear as contas e bens e ainda por não haver registro de punição completa, como arresto de bens e prisão. A impunidade seria supostamente um sintoma do envolvimento de membros do Poder Judiciário, na avaliação dos setores de inteligência.
A Receita Federal vem investigando a vida de Fahd Jamil Georges, mas prefere não informar sobre o dossiê que possui, com a lista de bens do empresário. Além de ser suspeito do assassinato do general Rosa Rodriguez, que era chefe da Agência Antidrogas do Paraguai, Jamil é investigado por suposta participação no assassinato do vice-presidente paraguaio Luis Maria Argaña.
Segundo a Senad, todas as seis organizações "paraguaio-brasileiras" atuam com tráfico de drogas, de armas, contrabando, jogo ilegal e comércio de reagentes químicos. Estas organizações, segundo a Senad, trazem armas e drogas para o Brasil e exportam os reagentes químicos produzidos no País, utilizados no refino de drogas, para países como Paraguai, Bolívia e Colômbia.
A CPI do Narcotráfico já vinha cruzando informações sobre a suposta ligação de traficantes com o general Lino Oviedo, que foi impedido de concorrer à Presidência da República do Paraguai e está hoje na Argentina. O Banco do Brasil também rastreia o envolvimento de um ex-funcionário em Assunção com o general.


