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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Ricardo Rodrigues 
Maceió, 17 (AE) - Os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que comandam as investigações sobre as mortes de Paulo César Farias e Suzana Marcolino, disseram hoje ser "falso" o laudo do médico legista Fortunado Badan Palhares sobre o caso. "O laudo de Palhares foi feito sob encomenda, para dar sustentação à tese de crime passional: homicídio seguido de suicídio", afirmou Lessa, sem dizer quem teria encomendado o trabalho ao legista.
Segundo os delegados, Palhares poderá responder por crime de falsa perícia, porque no relatório que será entregue nesta quinta-feira à Justiça, será destinado um capítulo sobre os "erros grosseiros" cometidos pelo legista. "Se o juiz ou o promotor entenderem que houve má-fé na formatação desse laudo, será aberto um inquérito para apurar a responsabilidade de Palhares e seus auxiliares", explicou Lessa, acrescentando que no relatório a tese de crime passional é substituída pela tese de duplo homicídio.
Entre os erros no laudo de Palhares, os delegados destacaram o exame residuográfico que não apresentou substâncias clássicas encontradas nas mãos de quem atira com arma de fogo; diferença entre a altura real de Suzana e a medição feita pelo legista; a empunhadura atípica da arma; e a posição da namorada de PC na hora do tiro. Segundo o laudo, ela estava sentada, quando foi comprovado que ela recebeu os disparos em movimento. "Estas falhas foram apresentadas por vários legistas", afirmou Lessa.
"Antes de a CPI do narcotráfico ter acusado Palhares de fraudar laudos para o crime organizado, nós já havíamos feito esse questionamento, quando pedimos a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico dele", afirmou o delegado Alcides Andrade. Segundo ele, as informações sobre a quebra do sigilo ainda não foram entregues e deverão seguir diretamente para a Justiça. "Isto atrapalhou as investigações, mas conseguimos por outros meios comprovar a falsidade do laudo de Palhares", concluiu.
O juiz da 2ª. Vara Especial Criminal, Alberto Jorge Correia de Lima, disse que assim que receber o relatório dos delegados passará o inquérito ao promotor Luiz Vasconcellos, que decidirá pelo indiciamento ou não dos acusados. Por enquanto, os delegados confirmam apenas o indiciamento dos quatro Pms que trabalhavam como seguranças de PC no dia do crime: os cabos Reinaldo Correia de Lima Filho e Adeildo Costa dos Santos e os soldados Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva.
Apesar de no dia 27 de agosto o delegado Alcides Andrade ter admitido a possibilidade de indiciar o deputado Augusto Farias (PPB-AL), hoje ele não quis confirmar se o irmão de PC será ou não indiciado. "Se alguém publicou isso, citando o relatório que estamos concluindo, foi fruto da imaginação dessa pessoa", afirmou Andrade.


