Rio, 17 (AE) - A Delegacia de Polícia Fazendária da Superintendência Regional da Polícia Federal começou hoje a fazer uma revisão do 18 inquéritos arquivados que apuram o envolvimento de policiais, agentes federais e militares das Forças Armadas com contrabando de armas e munição no Estado do Rio. Durante dez anos de investigações, agentes federais apuraram que 128 policiais e militares teriam ligação com o comércio ilegal de armamento. Segundo o delegado Flávio Furtado, diretor Regional da PF, a reavaliação dos processos visa averiguar se existem provas que levem à abertura dos inquéritos. "Vamos retomar cada caso, saber detalhes dos inquéritos e os motivos do arquivamento", afirmou Furtado.
"Um dado novo pode provocar o desarquivamento e trazer informações importantes." Dos 18 inquéritos, nove foram arquivados, oito tramitam na Justiça Federal e apenas o processo que resultou na condenação do aviador reformado Latino da Silva Fontes por contrabando de munição chegou ao fim. Ele foi preso em abril de 1995 com cartuchos de fuzis.
"Às vezes recebemos a denúncia, mas não conseguimos materializar as provas e os inquéritos acabam arquivados", justificou Furtado. Agentes federais continuam investigando sob sigilo o esquema de tráfico de drogas e armas no Rio, que envolvem a identificação de rotas clandestina de aeroportos e o contrabando na Baía de Guanabara. A Polícia Civil também está trabalhando na localização de pistas de pouso clandestino no Estado.
"Vamos mapear toda o aeroportos ilegais existentes no Estado", garantiu o titular da Delegacia de Roubos e Furtos (DRE), delegado Ícaro Silva. Segundo ele, existem pelo menos 28 pistas clandestinas. Ele disse que entregará ao governador Anthony Garotinho (PDT) um levantamento com a localização de todos as pistas clandetinas existem no Estado e que seriam usados por traficantes. O Departamento de Aviação Civil (DAC) informou que deconhece oficialmente a existência de aeroportos clandestinos no Estado do Rio.
FAB- O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio de Mello negou hoje pedido feito pelo sub-procurador geral da república, Cláudio Fonteles, para que reconsidere decisão de conceder habeas corpus para que o tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira de Oliveira e seu irmão, Luiz César, sejam soltos. Os dois foram presos há quatro meses acusados de integrar uma quadrilha que usava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para o tráfico internacional de cocaína. Eles estão presos em Recife.
O alvará de soltura foi expedido na sexta-feira e Paulo Sérgio e Luiz César devem ganhar a liberdade até o final da semana. O ministro atendeu ao pedido do advogado do réus, José de Siqueira da Silva, feito com base no artigo 390 do Código Processual Penal Militar, que prevê um prazo de 50 dias para que os acusados que estão presos sejam julgados.
Além disso, existe um conflito de competência entre a Justiça Federal no Rio e Auditoria Militar de Pernambuco no julgamento do caso. Além dos dois irmãos, mais sete pessoas respondem ao processo, também acusadas de pertencer à quadrilha.

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