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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Claudio Barros (especial para a AE) 
Teresina, 17 (AE) - A Polícia Federal vai abrir inquéritos individuais para apurar o desvio de recursos do Fundo de Apoio ao Ensino Fundamental (Fundef) por mais de 70 prefeituras do Piauí. O dinheiro era desviado por meio de notas fiscais falsificadas e emitidas por empresas de fachadas, duas delas registradas em nome de Augusto Correia Lima, irmão do coronel José Viriato Correia Lima, chefe do crime organizado no Piauí.
O delegado Airton Franco, que investiga o desvio dos recursos do Fundef, ainda não começou a analisar as mais de mil cópias de notas falsas que lhe foram enviadas pelo Tribunal de Contas do Estado. Ao informar que cada prefeito será alvo de um inquérito, Franco disse que sua preocupação inicial é a de concluir o inquérito que apura a forma como agiam os falsificadores liderados por Viriato e pelo delegado Wilson Torres.
A pressa do delegado se justifica. Hoje o juiz federal Rui Gonçalves decretou a prisão preventiva de 11 envolvidos na falsificação de notas fiscais, entre os quais José Viriato, dois irmãos dele - José Correia Neto e Augusto Correia Lima - o delegado Wilson Torres, o empresário Abraão Viana Filho e o contador da quadrilha, José dos Santos Matos. Decretada a prisão preventiva, a PF tem 15 dias para terminar as investigações para que os suspeitos sejam formalmente acusados dos crimes de falsificação de documentos e sonegação fiscal.
Além das investigações policiais, o grupo de Viriato e prefeitos que se utilizaram das notas fiscais falsas serão investigados pela Receita Federal. Hoje, em Brasília, o deputado federal Wellington Dias (PT-PI) solicitou ao secretário Everardo Maciel uma ação fiscal contra 15 prefeituras. Ele quer prioridade para a prefeitura de Jerumenha (PI), onde a soma de recursos federais desviados pode passar de R$ 1,8 milhão em dois anos.
Numa operação conjunta realizada no final da manhã de hoje, as Polícias Civil e Federal apreenderam armas num sítio de propriedade de Viriato. Outras operações de busca vão ser realizadas, porque uma das hipóteses levantadas pelos delegados envolvidos no combate ao crime organizado é a de que o Piauí serviria como entreposto de armas contrabandeadas e que entrariam no País pelos portos de Tubarão (SC), Vitória (ES) e Rio de Janeiro (RJ). As armas seguiram do Piauí para abastecer narcotraficantes que agem na região Norte.


