Campinas, SP, 17 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico tem indícios de que o empresário Willian Sozza, acusado de ser o líder de um grande esquema do crime organizado em Campinas, pode ser apenas um testa-de-ferro de um outro grupo. As investigações que estão sendo feitas até agora, além de caminhar para desbaratar uma quadrilha ligada ao roubo de caminhões e tráfico de drogas, indicam que Sozza não é responsável pela lavagem de dinheiro, mas apenas um usuário deste mecanismo.
Além disso, a CPI descobriu que o grupo de Campinas é anterior ao esquema PC, do qual algumas das pessoas hoje investigadas também tiveram participação.
As investigações feitas pela Polícia Federal e técnicos da CPI podem ser direcionadas para o Estado de Alagoas, mas nenhum deputado admite ainda uma conexão com a família Farias, agora liderada pelo deputado federal Augusto Farias (PFL-AL). "Ainda não temos elementos para fazer esta aproximação", afirma um deputado, integrante da CPI.
Segundo ele, Sozza teria sido escolhido como elemento de ligação em Campinas há muito tempo, antes mesmo da instalação no País do esquema PC, surgido com o trabalho do tesoureiro Paulo César Farias na eleição do ex-presidente Fernando Collor de Mello. PC Farias também chegou a usar empresários da cidade para lavagem de dinheiro durante algum tempo. Com o fim do grupo de Farias, Campinas voltou a ganhar notoriedade no crime organizado
mas a tentativa de expansão dos negócios, abrangendo o roubo de cargas, acabou por evidenciá-lo. "De esquema fechado, passou a ser um negócio mais aberto e que adotou criminosos simples, como o caminhoneiro Jorge Meres, que acabou denunciando todo o esquema", diz um deputado.
Os indícios levantados pela CPI mostram que Sozza seria uma grande liderança dentro do esquema de Campinas, mas somente agora, com as investigações que vêm sendo feita pela comissão, começou a aparecer. "É muito estranho que uma pessoa como ele, que ficou desconhecida tanto tempo, somente agora foi apontado como chefe do esquema", observa o deputado. "Isso leva a duas coisas: ou o esquema não é tão grande, ou ele não é o líder."
Ainda assim, William Sozza figura como o elemento essencial para desvendar a provável conexão entre o crime organizado no Acre, Maranhão, Alagoas e Campinas. Mas a CPI aposta na quebra de sigilo bancário de várias pessoas ligadas a ele para se chegar ao integrante mais importante do sistema.
Nas investigações preliminares feitas pela comissão, há informações assegurando que o esquema de Campinas é mais antigo que o esquema PC, formando antes mesmo das eleições de Collor. Campinas foi a cidade escolhida como centro de lavagem de dinheiro por causa da proximidade com São Paulo e várias cidades importantes do interior do Estado. Mas o rastreamento que está sendo feito pela CPI, a partir da quebra de sigilo, é que vai mostrar para onde o dinheiro estava sendo enviado depois da lavagem. Se for encontrada grandes quantias, o destino seria o exterior, mas se for pequenos volumes, ele estaria circulando pelo País, de forma pulverizada.
Deste esquema, teriam se utilizado, além do grupo de Campinas, o ex-deputado Hildebrando Pascoal e o suposto grupo do deputado estadual José Gerardo (sem partido), prestes a ser cassado no Maranhão. "Poucas pessoas viram Pascoal movimentar recursos no Acre, mas não está descartada a possibilidade de que ele tenha mandado o dinheiro para Campinas, onde ninguém saberia de nada", afirma o delegado.

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