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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Rosângela Capozoli 
São Paulo, 17 (AE) - O advogado da ANBifarma, Johnson Sade, negou hoje que a empresa esteja envolvida na compra de medicamentos roubados, conforme acusação feita, nesta madrugada, pelo ex-motorista do empresário Willian Sozza, George Meres. Segundo ele, a ANBifarma não possui depósitos na capital paulista e na Grande São Paulo, onde o ex-motorista afirma ter entregue medicamentos roubadas.
A distribuidora chamava-se Abifarma Distribuidora de Medicamentos e mudou recentemente para ANBifarma, após ser acionada na justiça pela Associação Brasileira da Indúsitria de Farmacêutica (Abifarma).
"A ANBifarma não possui nenhum depósito fora de Curitiba. Não conhecemos e nunca ouvimos falar em George Meres", afirmou o advogado. Questionado sobre o motivo que teria levado Meres a citar o nome da empresa paranaense, Sade respondeu: "Deve ter sido o primeiro nome que lhe veio na cabeça." "Trata-se de uma empresa idônea. Todos os medicamentos comercializados têm origem e notas fiscais", afirmou.
Há dois anos, no entanto, a antiga Abifarma Distribuidora de Medicamentos foi acusada de vender o lote 351 de Androcur falsificado a um hospital. O medicamento é fabricado pela Schering. "O processo está sub-judice. O valor do lote era irrisório", defendeu-se. Ele acrescentou que "a empresa não reconhece a entrega e que ainda se discute a origem do produto". O valor do medicamento comercializado na época foi em torno de R$ 30 mil, segundo ele.
Meres afirmou em depoimento à CPI de Narcotráfico que os medicamentos roubados eram rigorosamente separados, para que fossem excluídas as caixas de amostras grátis e veterinários. As entregas eram feitas em depósitos de Santo André e dos bairros paulistanos de Santo Amaro, Limão e Freguesia do à. Ele se comprometeu a voltar com a Polícia Federal em todos os locais.
O ex-motorista foi o primeiro a apontar o esquema de Sozza com o crime organizado. Em seu depoimento afirmou ter conduzido 86 caminhões com cargas roubadas para a Bolívia. Ele disse ainda que o pagamento era feito com pasta de cocaína e armas.


