Havana, 17 (AE) - O presidente de Cuba, Fidel Castro, rebateu, em entrevista ao final da 9ª Conferência Ibero-Americana realizada em Havana, as críticas de que em Cuba não há democracia. Ele acusou os Estados Unidos de "oportunismo" na política de emigração de cubanos e pediu força ao cinema europeu para enfrentar o "império" de Hollywood. Fidel classificou de "mentira condicionada" a relação feita entre democracia e eleições. Quando os jornalistas indagaram por que em Cuba não havia eleições se ele era tão popular, disse que há eleições a cada dois anos e meio em seu país. "As eleições em Cuba são mil vezes melhores que as dos Estados Unidos e mais honestas", garantiu.
O presidente cubano acrescentou que na ilha 95% da população votam e vão a comícios sem a necessidade de "fuzis, campanhas ou propaganda eleitoral"."Afirmo que em nenhuma outra nação existe tanta paixão por eleições como a que existe aqui."
Em Cuba, em cada bairro existe um Comitê de Defesa da Revolução no qual é eleito - pelos moradores - o presidente do Poder Popular. Estes presidentes do Poder Popular escolhem os representantes da Assembléia Nacional do Partido Comunista de Cuba, responsável pela eleição do presidente. Há 40 anos, Fidel permanece no poder.
Sobre o fato de não haver eleições pluripartidárias no País e a manutenção do sistema socialista, Fidel respondeu: "Por que não nos respeitam? Temos ou não o direito a escolher o sistema político, econômico e social que consideramos pertinente?"
Polêmico e carismático, "el comandante" - como é chamado pelos cubanos - conseguiu, como nas demais cúpulas ibero-americanas, ser o centro das atenções. Ao contrário dos longos discursos de até oito horas, o líder cubano fez curtas intervenções desta vez, com bom humor e o carisma de sempre.
EMIGRAÇÓES - Segundo Fidel, o governo norte-americano é "oportunista" ao estimular a imigração cubana para o país. Anualmente, os EUA concedem 20 mil vistos por ano (autorização de residência fixa) a cidadãos cubanos. Para isso, no entanto, exigem que não tenham antecedentes penais e capacitação técnica, o que para Fidel explica o interesse norte-americano pelos bons profissionais cubanos, principalmente ligados à área médica e de educação. Na entrevista, o presidente cubano desafiou os Estados Unidos a fazer o mesmo com outros países latino-americanos.
O líder cubano pediu maior apoio ao cinema latino-americano e elogiou produções brasileiras e argentinas que têm participado do Festival do Novo Cinema Latino-Americano, realizado anualmente em Havana. Fidel criticou o fato de a indústria norte-americana colocar em papéis secundários artistas importantes da região, citando especificamente o caso do ator mexicano Mário Moreno, Cantinflas. E encerrou o comentário lembrando as produções francesas e italianas que filmavam a ilha nos anos 60 e 70. "Antes havia melhores filmes."
Fidel acusou ainda os Estados Unidos de tentar sabotar a 9ª Conferência Ibero-Americana realizada em Havana e de criar uma "oposição virtual" inexistente na ilha. Fidel atribuiu à secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, o envio de carta a vários chefes de Estado aconselhando encontros com dissidentes cubanos. Disse também que a integração ibero-americano tem tal força que "nada nem ninguém" irá prejudicá-la. "E se enfraquecerão os que se opuserem a ela", disse numa referência aos cinco presidentes que não foram à cúpula.

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