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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Chico Araújo, enviado especial 
Buritis, MG, 17 (AE) - Até a próxima terça-feira, o governo federal poderá liberar recursos para o custeio da produção das famílias assentadas em cinco municípios que estão acampadas em frente à Fazenda Córrego da Ponte, de 1.300 hectares, pertencente ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
A informação foi dada hoje à noite pela diretora de Conflitos Fundiários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Maria Oliveira, que se reuniu à tarde, na Prefeitura de Buritis, com a direção regional do órgão para analisar o problema. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) não participou da reunião.
À tarde, reunidos em frente à fazenda do presidente, os assentados decidiram boicotar o encontro com a diretora do Incra. O prefeito de Buritis, José Vicente Damasceno (PPS), ainda tentou negociar a ida dos trabalhadores rurais à cidade, mas sua proposta foi rejeitada. "Só vamos conversar com o Incra se a diretora vier aqui", avisou Gilmar de Oliveira, um dos líderes do MST.
Para atender aos assentados, segundo Maria Oliveira, o governo federal vai desbloquear recursos destinandos a custeio e investimentos em plantio de grãos. Segundo a diretora do Incra, isso será feito por meio de uma medida conjunta do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Só a partir dessa desvinculação é que o dinheiro poderá ser liberado para atender às reivindicações dos agricultores assentados.
Maria Oliveira previu que essa situação estaria resolvida até o início da próxima semana. "As famílias que decidiram, por volta das 21h, não invadir a fazenda Córrego da Ponte esperam receber do Incra R$ 3 milhões em crédito para custeio da produção. Cada família teria direito a R$ 2.000,00. Esse dinheiro seria destinado à aquisição de sementes, adubos e outros implementos agrícolas para o início do plantio.
A diretora do Incra não compareceu à fazenda onde os assentados estão acampados. Ela alegou que o local é "inadequado" e "sem estrutura" para a realização da reunião. Segundo ela, a reunião deveria ser na prefeitura, porque lá havia telefone e outros aparelhos de comunicação mais rápida com Brasília.
Maria Oliveira classificou de "uma infantilidade" a atitude do MST de não enviar representante ao encontro. Já o dirigente do MST, Gilmar de Oliveira, disse que "infantil é a direção do Incra, que se recusou a falar com a gente".


