Washington, 17 (AE-AP) - Funcionários do governo americano, falando na condição de não terem seus nomes revelados, afirmaram hoje (17) que, aparentemente, o co-piloto da tripulação reserva do vôo 990 da EgyptAir, Gameel Batouty, estava no comando do Boeing 767 que caiu no dia 31 perto da costa de Massachusetts. Segundo essas fontes, foi a voz dele que o gravador de voz da cabine captou pronunciando uma oração islâmica pouco antes de o piloto automático ser desligado e o avião iniciar uma vertiginosa queda de 10 mil metros de altitude. Todos os 217 ocupantes morreram.
Batouty, de 59 anos, que se aposentaria em março, tinha sérios problemas pessoais. Sua filha de 8 anos está internada num hospital da Califórnia há seis meses com uma grave doença que debilita seu sistema imunológico e apresentava sinais de depressão em conversas com seus colegas.
A versão de que um suicídio do piloto tivesse causado a queda do avião revoltou as autoridades egípcias, que insistem na tese de atentado ou de falha mecânica. Na tentativa de aplacar a ira dos dos egípcios, a Junta Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB, pelas iniciais em inglês) adiou a entrega da investigação ao FBI, a polícia federal americana, que deveria ter ocorrido na terça-feira.
A providência deixaria claro o fato de que o governo americano trata a queda do avião como uma questão policial e não como um acidente.
Mas, de acordo com a rede de TV CNN, colegas de Batouty na EgyptAir disseram hoje não ter dúvidas de que é dele a voz gravada na cabine, que diz em oração: "Já tomei minha decisão; entrego minha fé nas mãos de Deus."
A fita registrou também, logo após a oração, ruído de portas batendo e uma outra voz, supostamente do comandante Ahmed Habashy, que indagava: "O que está acontecendo?"
De acordo com alguns investigadores o piloto automático do avião foi desligado em seguida e iniciou-se uma descida, aparentemente controlada, até 5 mil metros. Segundos depois, os dois motores do Boeing foram cortados e ele iniciou o mergulho vertical no Atlântico.
"Os americanos querem responsabilizar-nos pela queda do avião porque os interesses financeiros da Boeing são enormes", declarou Tarek Munir, engenheiro de aerodinâmica da EgyptAir. "Uma balança americana se inclinará sempre em favor da Boeing e a EgyptAir será sempre sacrificada nesse altar."
A existência de 33 oficiais do Exército egípcio no avião também favorece as mais intrincadas teorias de conspiração. Cidadãos egípcios garantem que tratou-se de uma ação do Mossad (o serviço de espionagem israelense) para assassinar os oficiais.
Pilotos brasileiros ouvidos pela AE também mantêm reservas quanto à teoria de suicídio de um membro da tripulação. "Normalmente, os computadores de bordo de um avião simplesmente não permitem que comandos destinados a pôr em risco a segurança do vôo sejam obedecidos", disse um deles.
Os trabalhos de resgate dos restos do Boeing 767 do fundo do oceano - o avião está a cerca de 80 metros de profundidade - estão suspensos desde terça-feira por causa do mau tempo na região. A retirada dos escombros vem sendo feita por robôs subaquáticos, uma vez que a área é perigosa para a ação de mergulhadores.





