Londres, 17 (AE-AP) - O preço do barril de petróleo no mercado internacional atingiu US$ 26,11 hoje (17), nível mais alto em nove anos, depois que os três principais produtores mundiais, reunidos em Riad, decidiram manter até abril os limites de oferta fixados no início do ano. Como os estoques já estão reduzidos e o inverno no Hemisfério Norte ainda nem começou, analistas europeus avaliam que não é de todo impossível que a cotação do barril do produto supere os US$ 30 nos próximos meses.
No mercado londrino, o barril do petróleo do tipo Brent para entrega em janeiro subiu 53 centavos, para US$ 25,07 já no meio da tarde de hoje, a maior marca desde janeiro de 1991, quando as forças aliadas aos Estados Unidos expulsaram as tropas iraquianas do Kuwait. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do produto para entrega na ásia em dezembro iniciou a jornada de ontem a US$ 26,01, uma alta de 31 centavos em relação ao fechamento da véspera.
Para o ministro mexicano de Petróleo, Luis Tellez, que hoje se reuniu com seus equivalentes da Arábia Saudita e da Venezuela na capital saudita, porém, o preço ainda não está tão alto. Segundo Tellez, a elevação verificada nos últimos dias pode ser apenas uma "bolha", pois não existem sinais de uma tendência definida de aumento.
Na avaliação dos três ministros, entre eles Ali al Naimi, da Arábia Saudita, a recente elevação dos preços é apenas o resultado de uma onda especulativa. Mesmo entre os analistas desse mercado há quem considere que, pelo menos no momento, a cotação do produto está cerca de US$ 3 acima do nível adequado para o volume de estoques, como observou Mehdi Varzi, do Dresdner Kleinwort Benson.
Ele não acredita, porém, que as cotações tenham atingido seu pico. "Não há dúvida de que a tendência é de queda nos estoques
o que deve provocar novos aumentos."
O ministro saudita também admite que, se o inverno for realmente rigoroso, as reservas de petróleo poderão cair aos níveis de 1996. Dados do American Petroleum Institute, divulgados hoje, também confirmam o esgotamento dos estoques, pois na última semana cerca de 5 milhões de barris das reservas de gasolina foram utilizados, fazendo com que o país tenha hoje só 189,5 milhões de barris de gasolina e 308 milhões de barris de petróleo.
Os três ministros, no entanto, concordaram em trabalhar conjuntamente para "evitar choques" que resultem em forte aumento ou queda de preços. "Vamos analisar os elementos reais, não os movimentos especulativos", concluíram.

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