Istambul, 17 (AE-AP) - Logo na chegada hoje (17) a Istambul, na Turquia, para tomar parte na cúpula da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o presidente da Rússia, Boris Yeltsin, repetiu o que altos funcionários do Kremlin e da Chancelaria russa fizeram questão de deixar claro ao longo da semana: Moscou não aceitará críticas do Ocidente a sua campanha militar na república separatista da Chechênia, no norte do Cáucaso.
"A Rússia está atuando na Chechênia de acordo com as normas civilizadas internacionais", disse Yeltsin. "Tenho certeza de que vão entender isso depois do meu discurso no encontro." O presidente russo acrescentou que só assinará a declaração final da organização se não contiver referências ao conflito checheno.
Até a partida de Yeltsin havia incerteza sobre sua viagem, pois ele já adiou vários compromissos no exterior por causa de sua saúde precária. Yeltsin tem problemas cardíacos e esteve internado várias vezes nos últimos meses com problemas pulmonares e respiratórios.
Hoje, ele parecia forte, falou claramente e moveu-se com facilidade - ao contrário de viagens anteriores, em que era amparado por assessores.
A cúpula reunirá amanhã e depois 54 presidentes e chefes de governo, incluindo o presidente dos EUA, Bill Clinton, que, segundo o jornal americano Washington Post, pressionará duramente a Rússia para que concorde com a mediação da OSCE para o fim do conflito.
As autoridades russas insistem que o conflito é uma questão interna - uma vez que a Chechênia é uma república russa cuja proclamação de independência nunca foi aceita pelo governo federal. Além disso, argumentam que estão travando um combate contra o terrorismo internacional. Os bombardeios contra o território foram iniciados no começo de novembro, depois que as tropas federais expulsaram milhares de rebeldes islâmicos que haviam invadido a república russa do Daguestão, vindos da Chechênia. Eles também são responsabilizados por atentados que mataram cerca de 300 pessoas no país entre agosto e setembro.
Os EUA, a União Européia e vários países europeus intensificaram esta semana as críticas aos bombardeios russos na Chechênia, os quais têm causado elevadas baixas entre a população civil e provocaram a fuga de mais de 210 mil pessoas para a vizinha república russa da Ingushétia.
A OSCE quer o fim dos ataques aéreos e da artilharia para que os chechenos possam voltar a suas casas e não ficarem expostos ao duro inverno caucasiano em acampamentos precários, sem calefação e alimentos suficientes.
O objetivo da cúpula é firmar dois acordos, provavelmente depois de amanhã de manhã: a revisão do tratado de desarme convencional na Europa e uma nova Carta de Segurança Européia, que concretize os planos para o continente europeu no pós-Guerra Fria. O tratado foi firmado em novembro de 1900 pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os do extinto Pacto de Varsóvia (ex- bloco comunista) para limitar a presença de tanques, veículos blindados e armas pesadas nas fronteiras russas, principalmente no Cáucaso.
Por isso, é prejudicado pelo conflito na Chechênia. O próprio governo russo admitiu no mês passado que deslocou forças suplementares para a região caucasiana durante seu enfrentamento com as guerrilhas islâmicas no Daguestão e na Chechênia. Mas ressalta que essa é uma medida temporária, que não viola o tratado.

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