Buenos Aires, 17 (AE-AP) - O presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, recebeu alta hoje (17). Na sexta-feira ele foi hospitalizado por causa de um pneumotórax. Segundo seus assessores, o novo presidente já voltou à atividade. Hoje, passou o dia tentando conseguir no Congresso a aprovação, por parte dos peronistas, do orçamento do ano que vem antes de assumir o governo, no próximo dia 10 de dezembro.
Com aspecto descansado e de bom humor, De la Rúa foi ovacionado quando apareceu no pátio interno do Instituto Argentino de Diagnóstico e Tratamento. Ali, ele saudou simpatizantes e jornalistas antes de se dirigir à sua residência
no centro de Buenos Aires. Estava acompanhado da mulher, Inés Pertiné.
Os médicos recomendaram que De la Rúa diminua o ritmo de suas atividades, não faça esforços físicos e proibíram-no de andar de avião ou helicóptero por um mês. Isso, segundo os médicos, facilitaria a recuperação do pulmão direito. Ontem, os médicos retiraram a sonda que facilitava a drenagem de ar para os pulmões.
A principal dificuldade do novo mandatário é que a Aliança (UCR-Frepaso), pela qual se elegeu, questiona o projeto orçamentário de 2000 enviado por Carlos Menem aos congressistas. Entendem que o déficit previsto, de US$ 4,5 bilhões, não reflete a realidade. José Luis Machinea, provável ministro da Economia do novo governo, disse hoje que o déficit real poderia chegar a US 6,5 bi ou até US$ 7 bi, já que a administração Menem teria omitido gastos que o próximo governo terá de arcar.
Em declarações à Rádio del Plata, Machinea explicou que o governo de Menem fez estimativas muito otimistas sobre a arrecadação de impostos do próximo ano. Para resolver a questão, e manter-se dentro do déficit de US$ 4,5 bi, o governo teria que reduzir o orçamento enviado por Menem, o que implica reduzir os recursos enviados às províncias.
Acontece que 14 das 23 províncias argentinas são controladas pelo Partido Justicialista (PJ, peronista), de Menem, o que implicaria uma extenuante negociação. Indagado sobre possíveis aumentos de impostos, Machinea foi taxativo: "As medidas tomadas serão progressivas e pagarão mais os que mais tiverem. Não castigaremos os setores com menores recursos". E concluiu: "Estou convencido que teremos bom êxito na redução de evasão de impostos".

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