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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 17 (AE) - Dez mil quilômetros de ferrovias que percorrem 13 províncias constituem a rede ferroviária General Belgrano, a mais extensa da Argentina. Esta rede acaba de passar às mãos sindicalistas: o governo terminou a transferência à União Ferroviária, um sindicato que possui excelentes relações com o presidente Carlos Menem. O sindicato terá a concessão da rede até o ano 2029.
Além disso, conseguiu do governo Menem um subsídio anual de US$ 45 milhões durante os primeiros cinco anos do contrato, que terá que ser aplicado na modernização do equipamento e dos trilhos. De brinde, o governo também assumirá uma dívida de US$ 15 milhões deixada pela rede General Belgrano.
A rede, além de ligar as principais cidades do centro de norte da Argentina com o porto de Buenos Aires e os portos do rio Paraná, por onde é escoada a produção de cereais, conecta o país com a Bolíva, Paraguai e Chile. A passagem às mãos sindicais foi decidida após diversas tentativas frustradas de privatizacões, que enfrentavam a oposição dos governos das províncias do norte. Estes temiam que a passagem ao setor privado causasse a desativação de diversas linhas que constituem o único meio de transporte e de contato com o mundo para pequenas povoações das serras do norte.
O controle da rede será feito pela União Ferroviária que terá 51% das ações e a Cooperativa Industrial de Laguna Paiva, criada por ex- trabalhadores da desaparecida empresa estatal Ferrovias Argentinas, que terá 48%. O governo central ficará com 1%, e direito à designar um diretor.
No ano passado, a rede General Belgrano transportou 1,8 milhão de toneladas. Está previsto que no final de 1999 terá transportado 1,6 milhão de toneladas. O plano dos sindicalistas é aumentar para 2,6 milhões de toneladas no ano 2001, e para 3 milhões em 2004. A forma para consegui-lo é uma reestruturação da empresa, e o aumento do número de locomotivas, passando de 60 para 80 máquinas.
O plano é que o número de vagões passe de 4 mil para 7 mil.
Como política da União Ferroviária, as tarefas operacionais da rede General Belgrano são totalmente terceirizadas. Elas foram destinadas às diversas cooperativas fomadas pelos ex-funcionários da Ferrovias Argentinas.


