Washington, 17 (AE-ANSA) - As investigações da tragédia do vôo 990 da EgyptAir, que caiu em 31 de outubro depois de decolar de Nova York, já permitem antever um confronto entre Egito e os Estados Unidos sobre as causas do desastre.
Das investigações americanas surgem indícios de um possível suicídio do segundo piloto, Gameel el-Batouty, um homem perto da aposentadoria, com uma filha gravemente enferma e grandes faturas a pagar em um hospital americano.
No Cairo, a hipótese de que Batuty sacrificou sua vida junto com as das outras 216 pessoas a bordo tem sido rechaçada com veemência pela família, o governo e a companhia aérea.
Existem grandes interesses em jogo. Se for provado que o piloto deixou deliberadamente o avião cair no mar, a companhia aérea e talvez seus herdeiros deveriam pagar milhões de dólares em indenização.
Por outro lado, se tratou-se de um defeito mecânico, a conta dos danos seria entregue à fábrica, a americana Boeing.
Batouty, de 59 anos, não devia estar no comando do avião quando houve a queda. Só na metade da viagem é que ele deveria ter substituído o segundo piloto, Adel Anwar.
Mas segundo fontes da investigação, indicações sincronizadas das duas caixas-pretas não deixam dúvidas.
"A voz da Batouty - disse um dos investigadores - foi gravada enquanto dizia que queria pilotar o avião. O comandante, Ahmed Habashi, o permitiu".
Pouco depois, Habashi saiu e Batouty ficou sozinho na cabine de comando.
Na fita, sempre segundo fontes americanas, ficaram gravadas suas últimas palavras: "Agora decidi". Uma pausa, e logo a exortação dos moribundos na religião islâmica: "Confio minha alma a Deus".
No passado, a hipótese de suicídio do piloto só foi apresentada duas vezes.
Uma na queda de um avião da SilkAir que voava de Jacarta para Cingapura em 19 de novembro de 1997. Os investigadores estabeleceram que o piloto deliberadamente fez cair o aparelho, enquanto este voava sem problemas a uma altitude de cruzeiro, por volta dos 11.000 metros.
O Boeing 737 terminou num pântano da Indonésia, provocando a morte das 104 pessoas a bordo.
O segundo caso ocorreu em 21 de agosto de 1994, com um avião da Royal Air Maroc que voava de Agadir para Casablanca.
O governo marroquino anunciou, num comunicado, que as gravações indicavam que a queda "foi provocada pela decisão do piloto de se suicidar".
No caso, alguns elementos têm forte semelhança com o que, segundo acreditam, se passou no vôo 990 da EgyptAir. "O piloto desligou o piloto automático e fez o avião cair", informou o governo marroquino no comunicado. Neste desastre morreram 44 pessoas.

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