Nova York, 17 (AE) - O número de imigrantes brasileiros estabelecidos em Nova York cresceu 37% entre 1995 e 1996 em comparação com o período de cinco anos anterior, entre 1990 e 1994. Hoje, os brasileiros não estão mais concentrados em guetos na periferia como se pensava, mas espalhados por 183 dos 206 distritos dos cinco bairros da cidade.
Outra surpresa: cresceu em 31% a concentração de brasileiros na área do Upper East Side, em Manhattan, onde o aluguel de um apartamento de quarto e sala custa US$ 2.000 mensais. Em Astoria
no bairro do Queens, reduto de imigrantes e da classe média baixa, a população de brasileiros cresceu 49%.
Os dados são do estudo da prefeitura intitulado The Newest New Yorkers (Os Mais Novos Nova-iorquinos), divulgado esta semana. O Brasil não é citado com detalhes, pois a parte principal do documento analisa a imigração de europeus e asiáticos.
Os resultados incluem apenas os 2.761 brasileiros legalmente admitidos na cidade no período (só o censo de 2000 incluirá os ilegais). Mas os números confirmam a tendência de crescimento da imigração Brasil-Estados Unidos, facilmente verificada nas ruas de Newark, em New Jersey, e Astoria, região preferida dos brasileiros.
A presença brasileira é pequena nas estatísticas nova-iorquinas porque a imigração legal depende de um sistema de cotas. Por razões políticas, os norte-americanos privilegiam países como a ex-Iugoslávia, Afeganistão, Irã, Iêmen, Haiti e até Bangladesh.
O Brasil ocupa o 39º lugar entre os países com maior número de imigrantes legais na cidade - calcula-se que para cada pessoa admitida legalmente no país haja nove na ilegalidade.
Isso ocorre porque os brasileiros só podem solicitar visto de imigração por intermédio de uma loteria mundial: há cerca de 50 milhões inscritos para 55.000 vagas anuais. Sem acesso ao programa de cotas, a maioria dos quase 200.000 brasileiros que vive na área metropolitana de Nova York viaja como turistas e, depois, cai na ilegalidade.
Concentração - Entre os registrados, o censo indicou 1.182 moradores em Queens e 1.108 em Manhattan. A maior concentração está em Queens, no distrito de Astoria, com 474 residentes, e no Upper East Side, região nobre, com 304.
A seção Old Astoria tem 152 brasileiros. Staten Island, refúgio de mafiosos e milionários, tem 47. O Brooklyn, bairro mais populoso da cidade, tem só 291 brasileiros. No Bronx, reduto de latinos e negros, vivem só 133 brasileiros - ainda que espalhados por 26 das 29 seções nas quais o bairro é dividido.

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