Miami, 17 (AE) - Em 2025, dois terços dos habitantes do mundo estarão morando em cidades - a maior parte deles (90%) em países em desenvolvimento, sem recursos suficientes para montar a infra-estrutura necessária, para uma população urbana maior e mais pobre.
Este será o maior desafio do próximo século, segundo o Banco Mundial. E foi justamente para discutir essa questão que mais de 200 prefeitos das Américas iniciaram nesta quarta-feira (17), em Miami, uma conferência de três dias.
A conferência foi convocada pelo prefeito de Miami, Joe Carollo. Ele lembrou que em 1994, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, se reuniu com os líderes de outros 33 países do continente americano (todos menos Cuba) para anunciar a criação de uma zona de livre comércio até o ano 2005.
"Mas este processo está quase estagnado", disse Carollo hoje
na abertura da conferência. Um dos motivos citados por ele foi a falta de apoio do Congresso norte-americano à negociação de um acordo para reduzir barreiras comerciais na região. Outra razão é a crise econômica, que afetou a região. Por isso mesmo, Carollo acha que a integração só será possível se partir das bases - ou seja, dos municípios.
O mesmo estudo do Banco Mundial, que fala da concentração de pobres nos centros urbanos, aponta para a necessidade de dar uma maior autonomia às cidades para lidarem com seus problemas. A proposta de Carollo é obter apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para criar uma secretaria permanente de prefeitos das Américas em Miami, que permitirá aos municípios cooperarem entre si, sem depender dos governos federais.
Comércio - O comércio regional interessa tanto a Miami quanto a São Paulo, cujo prefeito, Celso Pitta, participou da conferência. Hoje, o Brasil é o maior parceiro comercial da Flórida: 40 empresas brasileiras têm filiais no estado norte-americano, muitas delas em Miami.
Pitta quer converter São Paulo num centro de convenções e negócios, agora que os altos custos de transporte e aluguel fizeram com que o maior polo industrial do Brasil perdesse competitividade para outras cidades menos congestionadas. E, para isso, é fundamental uma maior integração regional.

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