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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Demétrio Weber 
Brasília, 17 (AE) - Os reajustes de preço dos remédios vão ser investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, instalada nesta quarta-feira (17). A CPI dos Medicamentos deve definir seu roteiro de trabalho na próxima quarta-feira.
"Os preços são abusivos e, em vez de competição, os laboratórios promovem a cartelização", afirmou hoje o presidente da CPI, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), que quer aumentar a fiscalização no setor.
De acordo com o coordenador do Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamentos, Antônio Barbosa, o preço dos remédios subiu, em dólar, 71% desde 1994. Entre os medicamentos de uso mais comum, a variação média foi ainda maior, chegando perto dos 100% (de US$ 3,20 para US$ 6,00).
"É um escândalo o preço subir, enquanto as substâncias compradas pelos laboratórios para fazer os remédios custam cada vez menos", disse Barbosa, que é também presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal.
Ele citou como exemplo o caso do princípio ativo antibacteriano ciploxacino, que há cinco anos custava US$ 1.800 00 por quilo e, atualmente, sai por US$ 80,00. A Agência Estado tentou repercutir as denúncias com a Abifarma, mas não localizou diretores da associação.
O presidente da CPI disse que serão ouvidos o ministro da Saúde, José Serra, técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS), dos Ministérios da Fazenda e da Justiça, a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica e órgãos de defesa do consumidor.
ANVS - A ANVS vai obrigar os médicos a escrever de próprio punho na receita a proibição de troca do medicamento prescrito. O objetivo é evitar boicote aos medicamentos genéricos. A agência está preocupada com a possibilidade de fraudes, como a impressão de carimbos e etiquetas que determinem, sem o consentimento do médico, a proibição da substituição do remédio na farmácia.


