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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Juliana Junqueira 
São Paulo, 17 (AE) - A Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas está promovendo uma campanha para barrar a criação de faculdades de odontologia no Brasil. A entidade já entrou com uma ação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o Ministério da Educação (MEC) por causa da autorização para abertura de novos cursos sem um parecer da Conselho Nacional de Odontologia (CNO). As ações da campanha serão definidas neste sábado, durante o 3.º Fórum Estadual em Defesa da Odontologia, que será realizado na sede da instituição, em SP.
"Está ocorrendo uma proliferação exagerada de cursos de odontologia", adverte o presidente da associação, José Silvestre. Ao todo, são 113 faculdades de odontologia no Brasil, mais do que o México, Canadá e Estados Unidos juntos. A consequência do crescimento exagerado, segundo Silvestre, é a formação inadequada dos alunos, o que oferece riscos à população.
Só no Estado de São Paulo há 40 faculdades de odontologia, que formam anualmente cerca de 7 mil dentistas. Uma estimativa feita pela Academia Brasileira de Odontologia Estética (Aboe) mostra que, daqui a dez anos, o Estado terá mais 100 mil novos profissionais. "Não há professores qualificados para trabalhar em todas essas escolas", afirma Silvestre. Segundo ele, há denúncias de faculdades que usam o nome de professores que não dão aulas nas instituições.
Qualificação - Para que o ministério autorize a criação de um novo curso de odontologia, é necessário o aval do CNO. O conselho faz na região um levantamento para averiguar, entre outros pontos, a demanda por mais profissionais na área e se há professores qualificados. A decisão final, entretanto, é do MEC. "O ministério não tem solicitado o estudo do conselho", diz Silvestre.
Segundo Paulo Tone, presidente da Aboe, o número de dentistas no Brasil cresce em um ritmo de 5,4% ao ano. Atualmente, atuam no Estado 56 mil dentistas. São 140 mil em todo o País. "A média no Estado é de 1 dentista para cada 650 habitantes, enquanto a proporção sugerida pela Organização Mundial de Saúde é de 1 para 1.500 pessoas", afirma Tone. Em Curitiba, são 500 pacientes para cada dentista.
Algumas cidades paulistas têm mais escolas que metrópoles como Paris, com uma faculdade, ou Nova York, com duas. Só na capital são nove instituições de ensino superior. Bauru, Santos, Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, São José dos Campos e Campinas têm, juntas, 15 faculdades.


