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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 17 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio álvares, sugeriu hoje à indústria de armas que tome a iniciativa de suspender as exportações para o Paraguai. Ontem, o Ministério da Justiça anunciou a inclusão no projeto que limita a venda de armas em tramitação no Congresso de um artigo impedindo fabricantes de continuar exportando para o Paraguai. A justificativa é de que essas armas voltam ao Brasil e caem nas mãos de criminosos, uma vez que naquele país não há controle sobre a venda de armamentos.
Élcio álvares lembrou que, no Brasil, o controle sobre a venda de armas é feito pelo Exército, que agora está sob seu comando. Segundo ele, se for provocado a se pronunciar sobre o tema, conversará antes com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, e com o próprio Exército, que controla o setor. "Todas as medidas de combate à criminalidade têm de ser examinadas em conjunto", observou, acentuando que é preciso examinar o que é melhor para a população e o País no combate à violência. "Este é um assunto da mais alta relevância para o governo", acrescentou.
Na semana passada, o ministro recebeu a visita do secretário de Defesa norte-americano, William Cohen. álvares lembrou que o diálogo entre os dois países, para combate ao narcotráfico, será intensificado, principalmente depois da assinatura do protocolo de cooperação. Na área militar, a avaliação é de que os fabricantes de armas estão propensos a aceitar a decisão do governo de não exportar mais seus produtos para o Paraguai, para que não tenham um prejuízo ainda maior em seus negócios. Os representantes das empresas estão em trabalho intenso no Congresso de forma a impedir que o projeto que proíbe a venda de armas seja aprovado. Eles querem encontrar um meio termo e por isso, aceitariam, como moeda de troca na negociação, suspender a exportação para o Paraguai. Seria como dar os anéis para preservar os dedos. A idéia do governo de proibir a venda para os paraguaios foi tomada após um estudo que revela que mais de 80% das armas apreendidas foram produzidas no Brasil e, em um primeiro momento, vendidas legalmente. Esse estudo rebate a tese de que as armas entravam no País por meio de contrabandistas.


