Rio, 17 (AE) - O governador Anthony Garotinho apresentou hoje um projeto para acabar com a Favela Dona Marta, em Botafogo
na zona sul do Rio. No lugar dos atuais barracos serão erguidos nove prédios com capacidade para abrigar as 1.400 famílias que, o governo estadual estima, vivem no morro. O projeto é orçado em R$ 37 milhões e seu financiamento está sendo estudado pela Caixa Econômica Federal.
A favela, onde o cantor Michael Jackson gravou um video-clip em 1996, é considerada "problemática" pelo governo do Estado. Os barracos foram construídos de forma tão desordenada que se torna praticamente impossível a instalação de uma rede de esgoto (valas negras correm a céu aberto), e a entrada de lixeiros (o lixo é jogado em terrenos baldios) e da polícia. O desenvolvimento de ações sociais também é prejudicado. Desabamentos já ocorreram em 1966, 1969 e 1989.
De acordo com levantamento feito em 1989 pelo Instituto de Geociência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), existem na favela 74 pontos instáveis. Obras de contenção foram feitas apenas na parte superior da comunidade. Por conta das instalações elétricas precárias, houve um incêndio em 1992 que destruiu muitos barracos. "Além de ser um dos locais mais complicados, nunca houve ali nenhum investimento", afirmou Garotinho, justificando o projeto.
O presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carazzai
que recebeu hoje o projeto das mãos do governador, afirmou que está estudando o programa mais adequado para o financiamento da obra. Uma vez aprovada a concessão do crédito, o primeiro passo é fazer um recadastramento dos moradores da favela. "Vamos contratar uma empresa para esse fim", informou o presidente da Companhia Estadual de Habitação, Eduardo Cunha.
A segunda etapa do projeto prevê a transferência de 120 famílias para alojamentos provisórios a serem construídos nas imediações da favela. Feito isso, os barracos daquela área serão derrubados e se inicia a construção do primeiro prédio e a instalação de infra-estrutura básica. Quando as pessoas que ocupavam o alojamento se mudarem para os novos apartamentos, outros barracos começam a ser demolidos. O ciclo se repetirá até que toda a área esteja construída. "A previsão é que o projeto seja executado em 24 meses", disse Cunha.
Está prevista também a construção de creche, quadra de esportes, posto de saúde e área de lazer. Os prédios ocuparão exatamente o mesmo local da favela. "Vamos dar moradia digna àquelas pessoas", afirmou o governador. Funcionários - Garotinho, Cunha e Carazzai assinaram hoje convênio para que imóveis cujas construções foram abandonadas sejam vendidos a funcionários públicos mediante desconto de prestações em folha de pagamento. São cerca de 5 mil imóveis que serão vendidos, preferencialmente, a bombeiros e policiais militares e civis, em financiamentos de até 30 anos. As prestações variam de R$ 150 a R$ 400. Os imóveis são, atualmente
de propriedade da Caixa. As construções inacabadas serão concluídas com recursos do próprio financiamento.

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