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quarta-feira, 17 de novembro de 1999
Por Kátia Brasil 
Manaus, 17 (AE) - Um guindaste com capacidade para 50 toneladas começa a retirar amanhã (18) balsas, barcos e veículos do Rio Negro, em Manaus. Eles foram soterrados no deslizamento do Porto do Cordeiro, ontem (16), no bairro Colônia Oliveira Machado. Duas pessoas morrerram, oito ficaram feridas e há 28 desaparecidas. O Corpo de Bombeiros resgatou hoje os corpos de Jonelson da Silva Amaral e de João Carlos de Souza Liaça. Outro trabalhador, dado como desaparecido, está vivo, trabalhando em outro porto.
O porto, com 200 metros de extensão, era explorado por três empresas, interditadas. Segundo o presidente da Comissão de Defesa Civil de Manaus, coronel Vivaldo Barreto, com o desabamento do barranco sobre o qual estava o porto cerca de 20 mil metros cúbicos de terra caíram dentro do rio. Sob essa camada estão as 11 balsas, seis rebocadores, seis barcos e os corpos das vítimas do maior acidente registrado na zona portuária de Manaus.
Corpos - O guindaste pode mutilar os corpos. "Mas não tem outra maneira de tentar resgatá-los", disse o coronel Barreto. A camada de terra impede que os 12 mergulhadores procurem os corpos. Às 10h30 (12h30 de Brasília) o corpo de Jonelson da Silva Amaral apareceu boiando a 200 metros do local do acidente. Ele foi reconhecido pelos primos Francisco e Raimundo Oliveira Picanço. Francisco contou que os três trabalhavam na balsa Santa Terezinha embarcando engradados de cerveja que iriam para a cidade Oriximiná, no Pará.
Eles são de Oriximiná e trabalham no ramo do transporte fluvial, exceto Jonelson. "Jonelson não deveria vir para esta viagem para Manaus, porque ele sofria de problemas mentais. Sua mãe ainda pediu para ele não vir, mas ele insistiu", contou Francisco. Segundo ele, sete pessoas estavam na balsa quando o barranco cedeu. Seis sobreviveram.
Por volta das 12h30 (hora local), foi resgatado o corpo de João Carlos de Souza Lioça, de 37 anos.Ele era motorista e estava em um caminhão sobre uma balsa na hora do acidente. José Lozimar Moreira de Lima, 27 anos, que trabalhava na balsa GS-II e foi dado como desaparecido, está vivo e trabalhando em um porto no interior do Acre.


