Rio, 17 (AE) - A direção do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) informou, hoje, que dez de 110 exames de HIV com resultado positivos realizados no laboratório da instituição e refeitos, nos últimos meses, estavam com os resultados iniciais errados. Em julho, o HC divulgou nota em jornais do Estado comunicando a possibilidade de erro em parte dos mais de 2.700 exames feitos na unidade entre agosto de 1998 e maio deste ano. A suspeita surgiu depois que cinco pacientes supostamente com HIV, cujos testes foram feitos naquele período, fizeram novas análises e descobriram não ter o vírus da aids.
O motivo dos enganos seria um tipo de pipeta utilizada para manipulação do sangue dos pacientes, na fase de preparação do exame. Mais curto que os normais, o instrumento poderia reter resíduo de amostras de sangue de outras pessoas, comprometendo o resultado. Segundo o vice-diretor do HC, Henrique Torres, o hospital enviou cartas ou contactou por telefone quase todos os pacientes que não tinham sinais de infecção, mas que receberam resultados positivos para o HIV. Eles foram convocados a refazer os testes.
"Dos 120 que poderiam estar errados, refizemos 110 exames e, entre eles, somente dez estavam com resultados falso-positivos", disse. "Os dez pacientes restantes ainda não foram localizados", completou. O Ministério Público ameaçou, tão logo o hospital reconheceu a possibilidade de erro, processar o HC e os técnicos responsáveis pelos exames. A alegação é que a instituição não respeitou a portaria 448 do Ministério da Saúde, que exige dois testes de um mesmo paciente com sangue colhido em momentos diferentes, para dar resultados de HIV. Pacientes prejudicados também disseram que cobrariam reparação na Justiça. Até hoje, porém, o caso estava parado.
"Ainda não fomos notificados de nenhuma ação judicial e estamos relativamente esperançosos de que o tratamento que demos ao problema tenha satisfeito as pessoas", disse Torres. "Não ignoramos a dificuldade pessoal que essa situação possa ter causado aos pacientes, mas é possível que tenham se sentido razoavelmente reparados com a condução do processo".

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